Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e fundador do Banco Master, está com os olhos voltados para o Supremo Tribunal Federal (STF) na expectativa de obter prisão domiciliar. A aposta da defesa é que as negociações para um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) não avancem, levando o caso para a decisão judicial.
A defesa de Vorcaro concentra seus esforços em recursos que podem reverter as decisões do relator André Mendonça, especialmente focando nos pedidos de prisão domiciliar para seu pai, Henrique Vorcaro, e seu primo Felipe, ambos presos na sexta fase da Operação Compliance Zero. A decisão caberá à Segunda Turma do STF.
Atualmente, os ministros Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques são peças-chave. Mendes pediu vista dos processos e ainda não se posicionou definitivamente. Até agora, André Mendonça e Luiz Fux votaram pela manutenção das prisões, enquanto Dias Toffoli declarou-se impedido. O voto de Nunes Marques pode ser decisivo; se houver empate, favorece o réu.
A expectativa é que o pai de Vorcaro possa obter prisão domiciliar nos próximos dias. Caso isso aconteça, a defesa pretende ingressar com um agravo regimental em favor de Daniel Vorcaro.
No passado recente, Nunes Marques já votou pela manutenção da prisão preventiva de Vorcaro. Contudo, se ele mudar sua posição agora junto com Gilmar Mendes pela prisão domiciliar, Mendonça seria vencido.
A tramitação do recurso contra a prisão preventiva de Vorcaro estava paralisada devido às negociações de delação que começaram após sua detenção em março. Naquela época, autoridades acreditavam que a prisão poderia facilitar um acordo. No entanto, sem avanços na homologação por parte de Mendonça, a situação permanece incerta.
A defesa observa também o contexto político: Nunes Marques foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2020. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, está envolvido indiretamente no caso devido ao investimento milionário de Vorcaro no filme “Dark Horse”.
A irritação de Vorcaro com as decisões do ministro André Mendonça ficou evidente após este retirar a tornozeleira eletrônica de Raimundo Nogueira. Raimundo é irmão do senador Ciro Nogueira e investigado na mesma operação que Felipe Vorcaro. Mendonça justificou a decisão alegando falta de elementos que indicassem risco de fuga no caso de Raimundo.
No entanto, segundo a PF, Felipe teria fugido dos agentes em janeiro deste ano em Trancoso.
A defesa teme que uma nova rejeição ao acordo resulte em transferência imediata para o Complexo da Papuda. Desde março deste ano, Daniel Vorcaro já passou por cinco unidades prisionais entre São Paulo e o Distrito Federal.