Governo prepara Desenrola para adimplentes e mira crédito mais barato

Nova etapa deve atender quem mantém pagamentos em dia e enfrenta juros altos

O governo federal deve anunciar até o fim de junho uma nova etapa do programa Desenrola voltada a consumidores adimplentes, ampliando o alcance da política de reorganização financeira das famílias brasileiras. A iniciativa foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que informou que o desenho final da medida está em fase de conclusão após negociações internas e diálogo com instituições financeiras. A proposta busca atender pessoas que seguem pagando suas contas, mas convivem com contratos de crédito marcados por juros elevados. 

Foto: Washington Costa/MF

Diferentemente das etapas anteriores, que tiveram como foco principal consumidores inadimplentes e renegociação de dívidas vencidas, o novo modelo pretende atuar de forma preventiva. Segundo Durigan, a ideia é impedir que famílias acabem entrando em situação de inadimplência por conta do peso financeiro dos juros altos sobre o orçamento doméstico. O governo ainda não divulgou regras operacionais nem critérios definitivos para participação, mas sinalizou que o programa poderá contemplar modalidades específicas de crédito e públicos com maior vulnerabilidade financeira. 

A discussão sobre uma ampliação do Desenrola já vinha sendo antecipada pelo Ministério da Fazenda desde maio, quando o governo passou a avaliar mecanismos para alcançar consumidores que permanecem com pagamentos em dia, mas enfrentam dificuldades para manter contratos ativos em linhas mais caras. Também entrou em estudo uma frente específica voltada para trabalhadores informais, grupo frequentemente exposto a taxas de juros mais elevadas e com menor acesso ao crédito em condições favoráveis.

Enquanto prepara a nova fase, o governo destaca os resultados obtidos pelo programa em funcionamento. Dados apresentados recentemente pelo Ministério da Fazenda apontam bilhões de reais renegociados e milhões de contratos reestruturados, com expectativa de ampliar ainda mais o alcance até o fim do mês. A avaliação oficial é que medidas voltadas à renegociação e ao reequilíbrio financeiro das famílias podem reduzir o risco de superendividamento e estimular maior estabilidade econômica no consumo interno. 

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