A produtora responsável por Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou à Polícia Civil de São Paulo que não apresentou contratos e documentos detalhados da produção por causa de cláusulas de confidencialidade firmadas com atores e fornecedores. A empresa é investigada em um inquérito que apura suspeitas de desvio de recursos públicos para financiar o longa.
Segundo informações apresentadas pela Go Up Entertainment, uma perícia privada apontou que o filme teria consumido cerca de R$ 75 milhões, sendo aproximadamente R$ 54 milhões em despesas realizadas nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões no Brasil. No entanto, os valores foram apresentados de forma genérica, sem detalhamento dos gastos.
A investigação também analisa a relação da produtora com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização contratada pela Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de internet gratuita em áreas periféricas da capital. A suspeita é de que recursos ligados ao contrato possam ter sido utilizados na produção cinematográfica. Tanto a prefeitura quanto a produtora negam irregularidades.
De acordo com a Go Up, parte dos contratos assinados com profissionais estrangeiros prevê acordos de confidencialidade, conhecidos como NDA (Non-Disclosure Agreement), que impedem a divulgação de valores e condições comerciais. A empresa argumenta que o descumprimento dessas cláusulas poderia gerar ações judiciais e multas milionárias nos Estados Unidos.
Entre os nomes do elenco está o ator norte-americano Jim Caviezel, escalado para interpretar Jair Bolsonaro no filme. Segundo a reportagem, o contrato do artista prevê pagamento de milhões de dólares.
A perícia anexada ao inquérito divide os custos do projeto em etapas como desenvolvimento, pré-produção, filmagens e pós-produção, realizadas tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. O documento informa ainda que os recursos teriam sido repassados por meio do fundo Havengate Development LP e que a maior parte do dinheiro movimentado no Brasil foi transferida por meio de operações via Pix.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca esclarecer a origem dos recursos utilizados na produção e a eventual ligação entre o financiamento do filme e contratos públicos.