O senador Jaques Wagner (PT-BA) deve anunciar nos próximos dias sua saída da liderança do governo no Senado, em meio aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A decisão ainda será discutida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas interlocutores do parlamentar afirmam que o afastamento do cargo já é tratado como provável.
Segundo informações de bastidores, Wagner resistiu inicialmente à pressão para deixar a função, mas teria sido convencido por aliados políticos de que sua permanência poderia ampliar o desgaste tanto para o governo federal quanto para sua própria situação política.
A expectativa é que o senador informe ao presidente que pretende concentrar esforços em sua defesa diante das investigações em curso. A operação apura suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e recebimento de vantagens indevidas relacionadas a pessoas e empresas ligadas ao antigo Banco Master.
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na última semana e afirma ter identificado indícios de benefícios econômicos supostamente recebidos pelo parlamentar, direta ou indiretamente. Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que colaborará com as investigações.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que a repercussão do caso aumentou a pressão pela substituição do líder governista. Auxiliares presidenciais relatam que a divulgação de informações relacionadas à investigação e o surgimento de novos elementos agravaram o desgaste político do episódio.
Interlocutores próximos ao presidente afirmam que Lula acompanha pessoalmente os desdobramentos da operação desde sua deflagração. A relação entre os dois é considerada uma das mais antigas e próximas dentro do PT, o que aumentou a sensibilidade do caso no núcleo político do governo.
Caso a saída seja confirmada, o Palácio do Planalto terá de definir um novo nome para conduzir a articulação governista no Senado em um momento considerado estratégico para a tramitação de projetos de interesse do Executivo no Congresso Nacional.
Até o momento, nem o presidente Lula nem a liderança do governo no Senado anunciaram oficialmente qualquer mudança. A definição deve ocorrer após a reunião entre o presidente e o senador, prevista para os próximos dias.