Rogério Marinho coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Rogério Marinho se reuniu com Gilmar Mendes em meio à pressão contra Alexandre de Moraes

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tenta construir canais de diálogo com o Supremo Tribunal Federal em meio à escalada das críticas da direita ao ministro Alexandre de Moraes. Na quarta-feira (2), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, reuniu-se com o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, em uma conversa de cerca de 15 minutos.

Foto: Reprodução/Flávio Bolsonaro
Rogério Marinho coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

A estratégia, segundo apuração da CNN, é separar os ataques direcionados a Moraes da relação do grupo político com o Supremo como instituição. Marinho teria transmitido a Gilmar a intenção de Flávio de manter uma relação institucional e de harmonia entre os Poderes caso seja eleito presidente.

A aproximação ocorre apesar de Flávio defender medidas que podem afetar diretamente decisões tomadas pelo STF. O candidato afirma que pretende articular com o Congresso uma anistia ampla para envolvidos no plano de golpe e nos atos de 8 de Janeiro. Caso não consiga aprovar a medida, promete conceder perdão presidencial ao pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão.

Crise entre ministros amplia tensão

A reunião de Marinho com Gilmar ocorreu um dia depois de o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que aponta supostas conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

A divulgação do conteúdo levou parlamentares da oposição a apresentar um novo pedido de impeachment contra Moraes e a pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que analise a medida. O grupo também encaminhou um pedido de providências ao presidente do STF, Edson Fachin.

Na quinta-feira (3), Moraes pediu a Fachin a abertura de uma investigação contra Mendonça. O ministro apontou “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade relacionados à atuação do colega nos casos Banco Master e INSS.

Fachin, porém, retirou a apuração sobre Mendonça do inquérito das Fake News e determinou que o caso fosse incorporado ao processo aberto para analisar o relatório da PF sobre as supostas conversas entre Moraes e Vorcaro.

Em evento no Palácio do Planalto, na sexta-feira (4), Fachin também defendeu o encerramento do inquérito das Fake News, que está em andamento há sete anos, e a criação de um código de ética para a Corte. Segundo o presidente do STF, os fatos relacionados ao episódio estão sendo apurados.

Moraes vira eixo de ato de campanha

A crise envolvendo o Supremo deverá ocupar posição central no ato de campanha convocado por Flávio para 7 de Setembro, na Avenida Paulista. A manifestação deve defender a saída de Moraes e, ao mesmo tempo, fazer uma defesa de Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.

Flávio também pretende explorar a composição da Corte como argumento eleitoral. O candidato afirma que uma eventual reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia alterar o equilíbrio do Supremo, diante da possibilidade de novas indicações presidenciais.

Durante o atual mandato, Lula indicou Cristiano Zanin e Flávio Dino para o STF. O presidente também indicou Jorge Messias, advogado-geral da União, mas o nome foi rejeitado pelo Senado.

A movimentação da campanha de Flávio em direção a ministros do Supremo ocorre, portanto, em duas frentes: de um lado, o candidato mantém o discurso de enfrentamento a Moraes; de outro, busca preservar uma interlocução institucional com a Corte para uma eventual transição de governo.

Leia também