Um amplo estudo internacional envolvendo mais de 2 mil pessoas em 16 países, incluindo o Brasil, revelou que a infecção por covid-19 acelera o envelhecimento vascular, mesmo em casos leves da doença. Publicada no European Heart Journal, a pesquisa mostrou que todos os infectados apresentaram maior rigidez nas grandes artérias em comparação com indivíduos não infectados, um fator que pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares graves, como infarto e AVC.
O estudo, conduzido pelo consórcio Cartesian e apoiado pela Fapesp, avaliou a rigidez arterial por meio da velocidade da onda de pulso carótida-femoral, um exame não invasivo que indica a elasticidade das artérias. Segundo o professor Emmanuel Ciolac, da Unesp, o aumento da rigidez arterial compromete o fluxo sanguíneo para órgãos vitais e foi observado independentemente da gravidade da covid-19 ou da presença de hipertensão, embora esta possa agravar o quadro.
Apesar dos efeitos negativos, a pesquisa também trouxe uma boa notícia: a rigidez arterial tende a diminuir com o tempo, especialmente com a adoção de programas de reabilitação que incluem atividade física. Estudos paralelos indicam que exercícios podem reverter parcialmente esse envelhecimento vascular acelerado.
Com mais de 311 mil casos notificados no Brasil em 2025 até setembro, o impacto da covid-19 na saúde cardiovascular representa um desafio para o sistema de saúde. A pesquisa destaca a necessidade de atenção contínua aos efeitos pós-infecção, especialmente para mulheres e pessoas com sintomas persistentes, e reforça a importância de políticas públicas e programas de reabilitação para minimizar os riscos associados ao envelhecimento vascular precoce.