Uma decisão do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) resultou em graves consequências para a população do distrito de Uiraponga, em Morada Nova (CE). Meses após o tribunal absolver o traficante José Witals da Silva Nazário, conhecido como Playboy, cerca de 2 mil moradores foram expulsos de suas casas por ordem do criminoso e de seu grupo. O vilarejo, antes habitado, transformou-se numa “cidade fantasma”.
A sentença, expedida pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas de Fortaleza, absolveu Playboy por falta de provas nas acusações de organização criminosa, tráfico de drogas, porte ilegal de armas e corrupção de menores. “O conjunto de provas não demonstra que os réus se associaram de forma estável para a prática de crimes”, diz trecho da decisão.
Após ser libertado, Playboy iniciou uma disputa violenta com o traficante Gilberto de Oliveira Cazuza, o Mingau, seu antigo aliado. Para desarticular o grupo rival, determinou a expulsão dos moradores de Uiraponga, com o objetivo de eliminar a rede de apoio de Mingau na região.
Em julho deste ano, o bando de Playboy executou um morador de 50 anos, cujo corpo foi deixado na praça principal para intimidar os demais habitantes. Desde então, apenas cinco famílias permanecem no distrito. A escola, o posto de saúde e a igreja local estão fechados, e uma viatura da Polícia Militar ocupa o prédio da antiga escola.
O TJCE, procurado para comentar o caso, reafirmou que a decisão se baseou na ausência de provas suficientes e que o acusado foi absolvido legalmente.
Playboy voltou a ser preso em julho, em uma casa no bairro do Pari, em São Paulo, durante operação policial.
A situação em Uiraponga é reflexo de uma crise de segurança mais ampla no Ceará, onde facções como GDE, CV e PCC disputam o controle de rotas do tráfico e impõem regras violentas à população. Casos semelhantes de expulsões já foram registrados em Maranguape, Pacatuba, Sobral e Groaíras.