Opinião do leitor

Por Kennedy Barros, presidente do TCE-PI

Por Kennedy Barros,

Este texto nasce após profunda reflexão e oração. Tudo o que nele está expresso credito à luz do Espírito Santo, que conduz, inspira e ilumina os corações quando nos dispomos a escutar.

Há presépios que não cabem nas vitrines nem nos altares enfeitados. Estão montados o ano inteiro, à beira das estradas, debaixo de lonas, nos cantos esquecidos das cidades. São presépios vivos, onde o frio, a fome e a indiferença substituem o ouro, o incenso e a mirra.

A imagem do presépio da vida real e a música Menino de Rua nos ferem a alma porque revelam um mundo que aprendeu a seguir em frente sem olhar, sem parar, sem compaixão. Um mundo que se acostumou a conviver com a dor do outro como se ela não nos dissesse respeito.

E, no entanto, Deus escolheu esse chão. Escolheu a pobreza, a fragilidade, a carne humana. O Deus divino se fez humano para que nós, humanos, aprendêssemos o caminho do divino — não pela força ou pelo acúmulo, mas pelo amor que se inclina, que acolhe e que reconhece o outro como irmão.

Essa não é uma conversão “dos outros”. É minha, é sua, é nossa. Conversão do olhar, do coração e das prioridades. Conversão que começa quando deixamos de perguntar “quem é o culpado?” e passamos a perguntar “o que posso fazer?”. Quando trocamos o julgamento pela misericórdia e a indiferença pelo compromisso.

Que possamos, cada um de nós, ser um pouco mais humanos para nos tornarmos mais próximos de Deus. Que nossos gestos revelem a fé que professamos e que nossa vida responda, com amor concreto, ao clamor dos pequenos e esquecidos.

Senhor, concede-nos a graça da conversão. Converte o nosso coração endurecido, a nossa pressa e o nosso comodismo. Converte a mim, a você e a todos nós, para que o presépio não seja apenas uma lembrança de Natal, mas um compromisso de vida, hoje e sempre. Amém.

Kennedy Barros

Fonte: Kennedy Barros

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