Intervenção de Trump nas eleições do Brasil é fato real
A ordem executiva de Trump deixa muito claro
A jornalista Daniela Lima, do Uol, escreve um texto nesta segunda-feira que, em resumo, mostra nos bastidores a reação do presidente brasileiro: "Lula, inicialmente incrédulo, já prevê impacto de ação dos EUA nas eleições. Decidiu-se esperar até que o presidente Lula despertasse, no sábado, dia 3, para dar a ele a notícia de que o continente sul-americano havia mudado drasticamente naquela madrugada. A primeira reação de Lula, segundo aliados, foi de incredulidade. Depois, surpresa".
A embaixadora do Brasil na Venezuela, Maria Laura, ao constatar o que ocorreu com Maduro, foi taxativa: "A ação dos Estados Unidos na Venezuela vai interferir nas eleições do Brasil. Não se sabe em que medida, mas vai. Isso depende do comportamento das plataformas de redes sociais. Outra coisa que está contratada é o impacto das decisões de Trump nas eleições para o congresso americano deste ano. Se ele perde a maioria, o mundo é um. Se mantém o controle que tem, é outro. Mas que haverá um impacto no eleitorado americano, não há dúvida".
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No Brasil a oposição já se articula para "povoar" as plataformas de redes sociais pedindo a Trump a "cabeça de Lula". Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Michelle Bolsonaro (PL) celebraram o ataque. Os outros presidenciáveis, Ratinho Júnior, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Ronaldo Caiado também comemoraram o bombardeio dos EUA contra a Venezuela.
A oposição brasileira sabe que será uma tarefa difícil vencer Lula nos votos. A reação predominante entre eles e nas redes sociais bolsonaristas é para, dia após dia, celebrar o ataque americano na Venezuela, sugerindo que se estenda ao Brasil para que não ocorra as eleições de 2026.
O único presidenciável a destoar dos demais foi o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que demonstrou preocupação com o aumento das tensões: “Nossa América Latina precisa de paz e cooperação, não de intervenções armadas”.
Por que entendo que a Intervenção de Trump nas eleições do Brasil é fato real?
Basta lembrar do texto daquela ORDEM EXECUTIVA do governo americano ao implantar o tarifaço contra o Brasil. Um trecho da ordem diz claramente que os EUA "...estão preocupados com a eleição de 2026, que pode ter problemas,..." Foi em agosto de 2025, onde Trump e sua turma mostraram-se interessados em intervir na política brasileira.
Vejam que a ORDEM EXECUTIVA dos americanos demonstrou que a ação do governo Trump não foi somente comercial, mas, também, política em relação ao Brasil. A se concretizar a ameaça do ano passado, os EUA estarão intervindo na nossa soberania e na nossa democracia, inquestionavelmente! De modo especial nas eleições de 2026, interesse maior para destronar Lula do poder, nem que seja à força.
Em entrevista recente à CGTN, o economista Jeffrey Sachs afirmou que Trump está tentando impor “governos fantoches” em todo o hemisfério ocidental. A agressão à Venezuela faz parte de uma estratégia para remodelar politicamente a América Latina sob tutela dos EUA. Para Sachs, trata-se de um projeto marcado por violações do direito internacional, desprezo pela soberania regional e pelo uso sistemático da força para produzir mudanças de regime. E o Brasil não estará à salvo, absolutamente, não!
Não podemos esquecer que o ano de 2026 será marcado por uma série de eleições cruciais, das Américas à Europa, passando pelo Oriente Médio e Ásia. Algumas devem testar a longevidade política de líderes que têm tido um papel determinante nas últimas décadas, como no caso do presidente Lula, um ciclo de esquerda que não convém ao americano de direita e de extrema-direita.
O pleito presidencial brasileiro terá pela sétima vez o nome de Lula. Um fato relevante no mundo inteiro! Três eleições vencidas e uma quarta a caminho. Se o nome de Lula é certo nas urnas, o mesmo não pode se dizer se serão ou não realizadas eleições em 2026, haja vista as ações e as ameaças de Trump sobre a política da América Latina.
Fonte: Miguel Dias Pinheiro, advogado