Bolsonaro: O corpo que não é mais símbolo de resistência
Corpo incapaz de suportar o peso da própria culpa
Quando presidente da República, Bolsonaro se arvorava de ter um corpo atlético capaz até de enfrentar o vírus fatal da Covid-19. Um capitão do Exército capaz de enfrentar qualquer situação, tanto era o vigor físico do homem que não temia ninguém.
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Hoje, após ser condenado e preso, todo dia tem uma doença nova. O caso Bolsonaro deixou de ser apenas um presidiário do sistema de Justiça para virar um espetáculo político-médico.
Após a queda - se é que houve mesmo -, surgiram tonturas, confusão mental, perda de equilíbrio, lapsos de memória,... Sempre algo novo, sempre no momento exato, sempre acompanhado de discursos dramáticos e entrevistas calculadas.
Até que o ministro Alexandre de Moraes resolveu agir. Inclusive contra médicos. Ai a versão clínica começou a falhar., com contradições e personagens se atropelando em narrativas desencontradas. E, quando isso acontece, entram em cena o STF e a PF.
No pós-queda, a primeira pessoa a se manifestar foi Michelle Bolsonaro. Não foi uma fala casual. Não! Foi uma fala pensada para produzir efeito político imediato. Em poucas palavras, tentou deslocar o centro da narrativa, do condenado para o paciente, do réu para a vítima, do criminoso para um homem frágil.
No vexame, foram os dados técnicos-científicos produzidos por Michelle que mais chamaram a atenção do STF e da PF. O problema é que quando esse tipo de discurso se repete em excesso ele deixa de convencer e passa a levantar suspeitas. Tinha o "dedo médico" na fala de Michelle. Inapelavelmente! E foi exatamente isso que aconteceu.
Então, o castelo de areia começou a desmoronar. A entrada do STF no acompanhamento direto do caso elevou a temperatura. A Corte não analisa sintomas clínicos, analisa fatos, não reage a emoções, reage a provas. Era, enfim, uma narrativa mal sustentada. Que começou a apresentar fissuras. Michele Bolsonaro passou a assumir um protagonismo excessivo, falando mais do que os próprios advogados e médicos.
A multiplicação de versões gerou exatamente o efeito oposto ao desejado e enfraqueceu a credibilidade do discurso da queda com possível traumatismo craniano. A tentativa de envolver entidades médicas, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), começou a gerar desconfiança e ruído institucional.
Surge, então, o ministro Alexandre de Moraes para anular uma sindicância do CFM que pretendia (pasmem!) colocar em dúvida a PF e o atendimento médico da instituição. A decisão de anular o procedimento administrativo que surgiu nesse contexto para deixar claro que o Supremo não permite que a saúde de Bolsonaro seja usada como ferramenta de confronto institucional.
Moraes deixou implícito que a lei não se curva a diagnósticos fabricados e nem a discursos emocionais estrategicamente calculados. Porque o que se viu foi uma tentativa clara de transformar uma condenação criminal em um debate emocional médico permanente, quase que interminável.
A ironia da história é que o mesmo Bolsonaro que fez da força uma estratégia política, exaltando a virilidade como símbolo de poder, agora tenta sobreviver politicamente pelo discurso da fragilidade, da dor, da doença, da enfermidade,... Do coitadinho!
O corpo que antes era símbolo de resistência virou argumento de defesa. O mesmo corpo que serviu para incitar multidões, agredir homens e mulheres, ameaçar ministros..., agora é apresentado como incapaz de suportar o peso da própria culpa.
Fonte: Portal AZ