Firmino Filho levou o PSDB para o túmulo

O PSDB, hoje, é um "zumbi institucional"

Por Miguel Dias Pinheiro, advogado,

A direita do Piauí disse, na época, que o PSDB teria sido "enterrado com Wall Ferraz". Não aconteceu! Chico Gerardo assumiu o comando da Prefeitura de Teresina e do próprio PSDB e elegeu Firmino Filho seu sucessor, na história eleição de 1996 contra o ex-governador Alberto Silva.

Hoje, não só a direita poderá dizer que Firmino Filho levou o partido para túmulo. Mas, todos nós, infelizmente!.

O PSDB esfacelou-se de tal forma que nem sequer tem uma casa alugada para abrigar o partido. Cordialmente - talvez até saudosamente -, o atual prefeito de Teresina, médico Sílvio Mendes, ex-tucano, destinou uma sala dentro do diretório do União Brasil para a abrigar a tucanada.

Os tucanos e ex-tucanos regionais tiveram culpa? Não!

A derrocada do PSDB foi - e continua sendo - um processo de enfraquecimento acentuado e contínuo, marcado pela perda de protagonismo nacional, encolhimento de bancadas e desilusão eleitoral.

Com o tempo, a identidade partidária sumiu, rachou internamente e perdeu a defesa do seu maior legado, o Plano Real. Para piorar, enfrentou - e ainda enfrenta - a migração de eleitores para a direita radicalizada de Bolsonaro, resultando em um partido "zumbi" sem rumo claro e com um futuro incerto.

Analistas e cientistas político apontam os sinais dessa derrocada tucana:

1. Do auge (FHC) para o declínio, com votações baixas para Serra, Alckmin e Aécio;

2. Perda de São Paulo após 28 anos, um dos maiores reveses;

3. Redução drástica da bancada federal;

4. Perda de vereadores e prefeitos, incluindo capitais, refletindo uma crise institucionalizada.

Analistas e cientistas políticos também apontam as causas:

a) Crise de Identidade: Dificuldade em se posicionar no cenário polarizado entre PT e Bolsonaro, ficando sem um projeto claro para o país;

b) Rachas e Traições: Desistências de figuras importantes e divergências internas, como o apoio de tucanos a Lula e outros a Bolsonaro;

c) Perda do Eleitorado: A migração do eleitorado de centro-direita para o bolsonarismo, que ocupou seu espaço;

d) Falta de Defesa do Legado: Insuficiente valorização de conquistas como o Plano Real e avanços sociais, segundo um artigo da FGV e o portal Nexo Jornal;

e) Aderência ao Anti-Petismo: A estratégia de focar no "antipetismo" esvaziou o partido e o empurrou para a radicalização, segundo o site The Intercept Brasil.

Hoje, nacionalmente, o partido é visto como um "zumbi institucional", lutando para sobreviver e se reconstruir, com o risco de perder seu número histórico (45) e dependendo de federações para ter relevância, conforme notícias da Folha de S.Paulo e a CNN Brasil.

Efetivamente, os tucanos estão em extinção. Um partido que já chegou a eleger quase 800 prefeitos, hoje, venceu em menos de 300 cidades no primeiro turno de 2024. Em São Paulo, por exemplo, berço dos fundadores do PSDB, o desempenho foi o pior da história.

“Longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas, nasce um novo partido”. Frase histórica de Franco Montoro, dita Brasília, no ano de 1988, na fundação do PSDB, após um racha no PMDB, sendo uma figura central na criação do partido ao lado de outros líderes nacionais como Fernando Henrique Cardoso e Mario Covas.

Para concluir, a maior tragédia tucana foi adotar o radicalismo bolsonarista. Facção que acabou por tomar o lugar dos tuanos como rivais do PT de Lula. Pior ainda! Boa parte dessa gente que se transformou em bolsonarista ficou longe, muito longe daquele moralismo como principal bandeira do partido. Enfim, a tucanada acabou por desnudar uma "falsa decência".

Fonte: Portal AZ

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