Daniel Alves lembra contrato assinado no ônibus e ajuda de custo no início no Bahia: "Ajudou muito a família"

Baiano de Juazeiro lembra trajetória e diz que se sente aliviado pela história que fez no futebol saindo da Bahia: "Desde que saí de casa só queria orgulhar os meus pais"

Por Globo Esporte,

Depois de cornetar o comportamento da torcida brasileira em São Paulo, na vitória sobre a Bolívia, Daniel Alves concedeu entrevista coletiva em casa, neste domingo, em Salvador. Nascido em Juazeiro (BA), o jogador de 36 anos segue com orgulho no time que enfrenta a Venezuela, terça-feira, na Fonte Nova, pela segunda rodada do Grupo A da Copa América.

“Aqui é onde tudo começou. Sinto uma coisa diferente, um alívio de ter feito o que sonhei fazer. Quando volto, é para comemorar. Um filho da terra foi, fez e está aqui de volta fazendo”, resumiu o jogador do Brasil, que espera "um axé diferente" na Bahia, como disse na saída do Morumbi.

Daniel Alves em entrevista coletiva na Bahia: "Estamos aqui para voltar a escrever história bonita pela seleção brasileira"  (Foto: Hector Werlang)

Inspirado na volta para Salvador, ele lembrou o início da carreira, saindo de Juazeiro para Salvador. O lateral contou curiosidade do seu início na trajetória do tricolor baiano.

“Eles (Bahia) foram contratar outro jogador e eu vim no pacote. Foi uma história engraçada (risos). Eu não tinha contrato em Juazeiro, fui assinar no ônibus, porque senão não teria ajuda de custo no Bahia. Assinei no caminho para a federação para poder ganhar os R$ 60. Pode não parecer muito, mas ajudou muito a minha família. Esse tipo de história é inspiradora, ensina a não deixar de acreditar”, contou o jogador.

Questionado se sente entre os maiores nomes da lateral direita da história da Seleção (numa lista que tem Djalma Santos, Carlos Alberto Torres, Leandro, Cafu e Jorginho), Daniel disse que não se preocupa com isso. E lembrou a trajetória de conquistas, principalmente fora de campo.

“Sinceramente enquanto estiver jogando não é uma preocupação. Depois também (risos). São nomes que foram referências para mim na minha carreira, na minha trajetória. Sou perfil de profissional que procuro acumular números e depois os historiadores que me coloquem no lugar que quiserem. Só quero fazer. Desde que saí de casa só queria orgulhar os meus pais. É o título maior da minha vida. É voltar em casa e sentir orgulho do que fizemos. Nesse prêmio tenho certeza que estarei em primeiro lugar”, diz Daniel Alves.

Apesar de evitar comparações, Daniel resumiu seu futebol sem modéstia. Disse que se espelhava em Cafu e Jorginho. Com a perseverança e dedicação de Cafu e a qualidade de Jorginho.
“As inspirações minhas de vida têm me levado a lugares bem vencedores. Não tem dado errado, não”, disse o lateral-direito da seleção brasileira.

Daniel Alves lembra críticas à torcida no Morumbi e pede apoio

O jogador lembrou as críticas ao comportamento da torcida em São Paulo, disse que sentiu público mais frio no Morumbi e manifestou desejo de que o povo volte aos estádios.

“Sou do povo, sempre vou prezar pelo povo, para que esteja nos estádios. Mas foge das nossas mãos, não controlamos os valores do ingresso. Não sou dono da verdade (sobre as críticas à torcida). Acho que não é coisa de São Paulo. Sinto isso quando a gente joga no Morumbi, na Arena (Corinthians) sentimos atmosfera diferente. O campo é mais distante. Até amigos que estavam no jogo me disseram isso. Estamos aqui para brincadeira, perdendo tempo, não estamos aqui porque ficamos mais bonitos vestindo a camisa, mas viemos aqui para missão. Que é encarada com muita seriedade pela gente. Se você gosta do jogador ou não, é um momento da gente ficar unido”, pediu.

Em reflexão sobre o discurso no vestiário, antes da estreia contra a Bolívia, Daniel Alves disse que se referia a todas as vitórias e derrotas de cada um nas suas vidas. Ele lembrou a eliminação contra a Bélgica, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018, e disse que não concorda com as críticas sobre a falta de renovação na seleção brasileira.

“Muitos amigos aqui da seleção viveram momentos da água para o vinho. Viemos de eliminatórias espetaculares, quando Tite assumiu, e apenas um jogo tudo foi para o espaço para quem vem de fora. Penso que nem tudo era perfeito antes, nem tudo se joga fora depois. "Traz aquelas coisas boas, as que não foram tão bem feitas deixa para trás". Quando cheguei pedi para todos serem constantes. Não pode ser hoje preto, amanhã branco. Acredito que faltou essa consciência. Depois da Copa disseram que tinha que trazer todos os jovens, os mais antigos não serviam muito. Eu discordo disso, tem que ser uma base, e vai renovando aos poucos. Acredito que essa junção dá certo”, comentou o lateral.

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