Elogios ao VAR e afago aos camisas 9: Fifa analisa a Copa e incentiva união de técnicos

Parreira e Van Basten apresentam relatório e destacam evolução tática e técnica de 2010 até 2018. Tite não comparece

Por Globo Esporte,

A Fifa promoveu pela primeira vez neste domingo, em Londres, uma grande conferência para analisar tática e tecnicamente a Copa do Mundo. Entre os 354 técnicos e dirigentes presentes - de 190 países diferentes - estavam nomes como o comandante da França e atual campeão mundial, Didier Deschamps, Joachim Löw (Alemanha), Gareth Southgate (Inglaterra), Zlatko Dalic (Croácia) e Luis Enrique (Espanha). Tite havia se programado para ir, mas desistiu de última hora por motivos pessoais. A seleção brasileira foi representada por Edu, diretor de seleções da CBF.

Parreira, Seedorf e Van Basten na apresentação do relatório (Foto: Divulgação)

- Essa é uma reunião muito importante. Quando fiz campanha para virar presidente, repetia muito a frase de que eu queria trazer o futebol de volta para a Fifa, e a Fifa de volta para o futebol, porque senti que as coisas tinham se perdido um pouquinho. Estamos todos juntos aqui, é exatamente aquela essência. Gostaria de agradecer a todos por compartilharem conhecimento e paixão pelo futebol conosco - disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino, na introdução do evento, incentivando a união de todos.

O uso do árbitro de vídeo (VAR), uma das grandes novidades do Mundial, foi muito elogiado por Infantino em seu discurso.

- Obviamente houve críticas ao VAR. Entendemos que esse é o futuro. Não por que falamos, mas porque o VAR ajuda, é muito útil. Eu tinha medo de que ele prejudicasse o jogo, parasse muito, mas isso não aconteceu. O VAR limpou o jogo. Testamos por dois anos e decidimos implementar na Copa do mundo. Foi um sucesso - afirmou o presidente da entidade.

Membros do Grupo de Estudo Técnico da Fifa, Carlos Alberto Parreira e o ex-atacante holandês Marco van Basten apresentaram um relatório com números, mediados pelo também ex-jogador holandês Clarence Seedorf.

Eles destacaram que na Rússia as seleções buscaram o gol de forma mais objetiva. E que houve evolução na qualidade e na técnica da finalização, citando alguns dados. Por exemplo: em 2018 foram necessários em média 29 chutes de fora da área para um gol, menos do que em 2014 (42) e 2010 (36). E também houve redução na média de escanteios por gol, com 29 em 2018, 36 em 2014 e 61 em 2010.

Ao falar sobre a evolução dos gols marcados nas últimas três Copas, Parreira brincou com o inesquecível 7 a 1 que o Brasil levou da Alemanha há quatro anos. Foram 145 gols em 2010, 171 em 2014 e 169 em 2018.

- Nosso resultado contra a Alemanha ajudou muito nesses 171 gols, senão a Copa da Rússia teria tido mais - disse, para risos da plateia.

Outro ponto destacado foi a redução do número de chutes de fora da área: 1000, 788 e 684 nos três últimos Mundiais, respectivamente. Segundo Parreira e Van Basten, as defesas estão mais compactas e dificultam essa finalização de longe, e os jogadores precisam ser muito técnicos e inteligentes para criar espaços.

CRISE DOS 9 É ASSUNTO

Sem citar Gabriel Jesus e o francês Olivier Giroud, que passaram em branco na Rússia e foram criticados por isso, Van Basten e Parreira saíram em defesa dos camisas 9 em geral.

- Hoje é muito mais difícil para o centroavante. Tem muita gente na área. Não há espaço, eles não conseguem ficar com a bola. É muito difícil criar alguma coisa, criar espaço. Estamos nessa fase de defesas muito fechadas. Por isso temos essa mudança no jogo, com meio-campistas chegando mais ao ataque - disse o ex-centroavante holandês.

- Concordo totalmente, o jogo mudou muito. Não tem mais espaço na área - acrescentou Parreira.

A Fifa anunciou que vai disponibilizar em breve toda a análise técnica e tática da Copa da Rússia na internet.
 

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