Clubes do Ceará ampliam preparação física de elencos para diminuir efeitos

Na pandemia, departamentos físicos e fisiológicos trabalham com a tecnologia para manter o nível físico dos jogadores durante a crise sanitária no País

Por Diário do Nordeste,

O futebol moderno é feito de performance e tecnologia. No alto rendimento, torna-se ainda mais importante o preparo físico do atleta na busca pela competitividade. Assim, a modalidade se reinventa durante a pandemia do novo coronavírus. O trabalho dos clubes é impedir que a pausa no calendário de jogos se reverta em prejuízo aos atletas.


Sem poder usar o CT, jogador alvinegros vão intensificando sua preparação - Foto: Kid Junior

Como é um cenário inevitável, há compreensão de que uma maratona de partidas e competições espera os elencos nos próximos meses. Os departamentos físicos e fisiológicos ganham protagonismo no processo ao tentar amenizar a perda.

E a adaptação é em todas as frentes. Acostumados com exercícios de intensidade elevada, os jogadores se ajustam aos espaços em casa na tentativa de manutenção da rotina.

“A gente está procurando treinar. Não consigo treinar 100% dentro da nossa realidade, mas tem exercícios e variações que nos deixam bem. É uma experiência nova. Ter que trabalhar em um lugar adaptado está sendo bem legal, mas estou ansioso para voltar logo a treinar no campo com meus companheiros de time”, destacou Felipe Alves, goleiro do Fortaleza.

Aos especialistas, o principal desafio, então, é acompanhar a atividade a distância. Como a liberação para uso dos centros de treinamento ainda não foi concedida em âmbito nacional, os mecanismos para contato são vídeos e dispositivos de comunicação, como WhatsApp.

A preocupação em si é conduzir o exercício com efetividade. Apesar do volume ser mais restrito, o acompanhamento deve persistir através dos setores fisiológicos dos times.

“Elaboramos uma sequência de treinamentos para que os atletas se exercitem nas residências. Mandamos vídeos, e eles têm que cumprir uma série individualizada com atividades. Neste período, a gente cobra que mandem vídeos e nós avaliamos como estão fazendo”, explicou Janderson Bessa, preparador físico do Ferroviário.

O plano coral é uma das alternativas encontradas. A comissão técnica da Seleção Brasileira feminina, por exemplo, adotou videoconferências com até 10 jogadores para passar instruções coletivas. Já na Itália, clubes como Inter de Milão e Juventus forneceram aparelhos específicos aos jogadores.


Ainda sem poderem voltar aos treinos normais, jogadores do Fortaleza vão treinando em casa - Foto: Camila Lima

Ritmo de jogo

O consenso é de que, para retomar os campeonatos, faz-se necessário ao menos duas semanas de preparação intensa. O pedido foi da Comissão Nacional de Clubes (CNC), que decidiu com a CBF pela volta dos treinos se houver aval das autoridades sanitárias.

Para Guto Ferreira, técnico do Ceará, o reinício das atividades pode garantir vantagem aos que atravessaram a pausa com rigor na parte física. “À medida que todo mundo está parado, o que demanda quem estará na frente é o que conseguir manter o padrão antigo de condicionamento para apenas acelerarmos o processo”, analisou.

A nova e última etapa no estágio é o exercício com bola, instrumento fundamental para o jogar.

Como deve ser na volta

À medida que regressarem aos CTs, a avaliação médica dos jogadores será acompanhada de maior uso da força nos dias que antecedem a exibição em campo, um elemento importante no exercício de apronto.

Por isso também que a metodologia integrada traz resultados mais rápidos. A mecânica envolve conhecer as características do elenco, projetar o desgaste futuro e permitir a prevenção de lesões que possam impedir a participação de um jogador. E o Fortaleza atua nesse eixo com a manutenção da comissão técnica.

“Dentro do modelo de jogo, temos os comportamentos esperados do atleta. Com períodos intensos (de treino) e qualidade, chegamos ao melhor ponto da capacidade física. Nosso elenco é reduzido, mas o Ceni tem habilidade para ler a nossa informação. Poupamos e exigimos mais quando possível”, apontou Danilo Augusto, preparador físico do Leão.

A estratégia se complementa com Rogério Ceni, pois o treinador acompanha o departamento fisiológico e trabalha sempre com bola durante os treinos, incluindo na pré-temporada. Expressão essa que define o período de maior concentração antes da abertura do calendário no início do ano e é válida para a atual circunstância.

Integrante da comissão fisiológica de Tite na Seleção, o profissional Fábio Mahseredjian ponderou ainda que a pandemia serviu para liberar os quadros médicos dos clubes. Sem jogos e esforços, a quarentena abate o tempo perdido dos contundidos.

“Eles (atletas) não jogam e não treinam com bola, então as lesões praticamente deixam de existir, já que são proporcionais ao tempo jogado. Quanto mais jogarem, mais expostos a lesões estão, não só de jogo, mas até de treino. Então, no que diz respeito às lesões, as preocupações praticamente acabaram”, afirmou.

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