Fifa escolhe Austrália e Nova Zelândia como sedes da Copa do Mundo Feminina de 2023
Mais bem avaliada, candidatura conjunta de países da Oceania leva a melhor sobre a Colômbia e receberá próxima edição do Mundial. Brasil e Japão desistiram de disputa
A Copa do Mundo Feminina será realizada na Oceania pela primeira vez na história. A Fifa anunciou nesta quinta-feira que Austrália e Nova Zelândia foram escolhidas como sedes do próximo mundial, em 2023, depois de um processo de escolha no qual o Brasil também chegou a participar. A decisão foi divulgada depois de votação entre os membros do conselho da entidade, que se reuniram através de videoconferência.
Gianni Infantino e a secretária-geral Fatma Samoura posam com placa comemorativa — Foto: Divulgação/Fifa
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- Não é apenas uma Copa do Mundo Feminina. É uma Copa do Mundo. Temos que nos dar conta disso. Mulheres são 50% da população mundial, talvez mais. O que acontece no campo ali é futebol, com atletas habilidosos - disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Na entrevista coletiva logo após a escolha, também realizada por videoconferência, Infantino citou que esteve recentemente na Oceania e viu a empolgação pelo esporte nos países. E que quer ver isso em 2023 - mas que a entidade trabalhará para popularizar o futebol feminino antes. Inclusive, o mandatário apontou que pode haver uma mudança no processo de escolha das sedes das Copas do Mundo femininas: em vez da votação ficar restrita ao conselho da Fifa, ela seria realizada no congresso, com 211 eleitores participando.
- Não deveria haver diferença entre as votações para sede da Copa do Mundo dos homens e das mulheres. É algo que deveríamos considerar para o futuro. Eu estou feliz que o processo até a votação tenha sido feito de maneira profissional e transparente, de um jeito como nunca foi feito antes. - completou.
O presidente da Fifa também indicou que pode colocar em prática uma proposta de tornar a Copa do Mundo Feminina um evento a cada dois anos, além de dobras a premiação do torneio para 2023 - em 2019, este valor foi de US$ 50 milhões. Infantino citou seu desejo de ver a competição chegar à América do Sul, citando a candidatura do Brasil, que, na sua opinião, poderia receber o torneio por ter abrigado a Copa do Mundo em 2014.
- Eu tentei criar um mundial de clubes para mulheres, um liga mundial também. Mas há uma outra proposta, que não é minha, de fazer a Copa do Mundo a cada dois anos. E talvez essa seja uma proposta melhor. Talvez seja algo que possamos colocar na mesa e discutir. Queremos levar essa Copa para a África, para a América do Sul. Mas não podemos esperar cada quatro anos para fazer isso - opinou Infantino.
A votação
O placar da votação foi de 22 a 13 a favor da candidatura dos países da Oceania, dentro dos 35 participantes do conselho que participaram da eleição. Membros das principais confederações do mundo, Uefa (Europa) e Conmebol (América do Sul) votaram em bloco na candidatura colombiana, que foi a pior avaliada pelos especialistas no processo. Esta também foi a escolha do vice-presidente da CBF, Fernando Sarney.
As outras organizações - Concacaf (Américas Central e do Norte), CAF (África), AFC (Ásia) e OFC (Oceania) - preferiram Austrália e Nova Zelândia, assim como o presidente Gianni Infantino. Dois membros do conselho, Johanna Wood e Ramon Jesurun, não votaram por serem da Nova Zelândia e da Colômbia, respectivamente.
- Estamos extremamente felizes com a decisão. É um grande orgulho para nós. Estamos comprometidos a fazer um evento histórico em 2023. Queremos dizer que nos deram uma grande oportunidade e vamos fazer muito pelo futebol feminino - disse Johanna Wood, presidente da federação da Nova Zelândia.
O processo de escolha
A candidatura mais bem avaliada foi a conjunta dos países da Oceania, que obteve a pontuação de 4,1, na escala de 1 a 5. O Japão obteve 3,9, e a Colômbia, 2,8. Os candidatos fizeram novas apresentações nesta quinta-feira, antes da votação pelos membros do Conselho da Fifa. O anúncio foi feito ao fim da eleição pelo presidente Gianni Infantino.
O processo de escolha da sede da próxima Copa do Mundo feminina foi marcado por idas e vindas e a desistência de candidaturas. O Brasil era um dos que pleiteava a organização do torneio, mas optou por sair da disputa depois de a CBF não conseguir garantias por parte do governo federal.
O Japão também resolveu retirar a candidatura de última hora, a três dias da decisão da Fifa, deixando a disputa apenas entre Colômbia e Austrália/Nova Zelândia. Isso ocorreu depois da avaliação das propostas por parte da Fifa.
Esta será a primeira Copa do Mundo Feminina a contar com 32 equipes na história. O torneio começou a ser realizado pela Fifa em 1991 e teve oito edições realizadas desde então - a última delas foi na França, no ano passado. Os Estados Unidos são os maiores vencedores, com quatro títulos, seguidos pela Alemanha, com duas conquistas, e Noruega e Japão, com um troféu cada.
O histórico de sedes da Copa do Mundo Feminina da Fifa
1991 - China
1995 - Suécia
1999 - Estados Unidos
2003 - Estados Unidos
2007 - China
2011 - Alemanha
2015 - Canadá
2019 - França