CBB "abandona" 3x3, e organização que nasceu na rua vira alternativa do Brasil para Tóquio
Confederação não realizou as três últimas etapas do Circuito Nacional e também não pagou premiação dos campeões da ação no Rio de Janeiro; ANB 3x3 enviará time para o México

No último dia 22 de julho, em Salvador, a Confederação Brasileira de Basketball realizaria a quarta etapa do Circuito Brasileiro de basquete 3x3. Realizaria porque desde março, quando promoveu a primeira ação, no Rio de Janeiro, a entidade não mais colocou em quadra o projeto da nova modalidade olímpica. As etapas em Belo Horizonte (abril), São Paulo (maio) e agora em Salvador não foram para frente. Em todas, atletas de ponta do país somariam pontos para o ranking da Federação Internacional de Basquete (Fiba), critério de classificação para a Olimpíada. Nesse contexto, ganha espaço e importância a Associação Nacional de Basquete 3x3, a ANB, organização que nasceu nas ruas, em 2007, através de atletas e ex-atletas e hoje, com a dificuldade da CBB em cumprir seu calendário, é atualmente o caminho para o Brasil não ficar de fora de Tóquio 2020.
A ANB promoveu o seu primeiro torneio de basquete 3x3 em 2012. Desde então, tem a chancela da Fiba para a realização de torneios da modalidade. Nos dias 28 e 29 de julho, inclusive, ocorrerá a última etapa do Circuito Paulista 3x3. E o campeão terá vaga na World Tour Fiba, no México, em setembro, de alta pontuação para o ranking da entidade. Apoiada pela Lei de Incentivo do Estado de São Paulo e por patrocinadores, a ANB 3x3 espera trabalhar em conjunto com a CBB e não vê formas do Brasil se classificar para Tóquio sem os eventos que realiza.
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- Sem as nossas etapas, sem sombra de dúvidas, o Brasil não vai para Tóquio. O motor propulsor para Tóquio, para nos classificar para a Olimpíada, são os nossos torneios e outros torneios que possam acontecer no Brasil para somar pontos. Temos contato, mas sentimos que a CBB tem muito mais prioridades na quadra do que o 3x3. Quando lançaram o circuito e não conseguiram atender, isso se vira contra - garante Carlos Roberto Cardozo, um dos gerentes da ANB 3x3.

Procurada pelo GloboEsporte.com, a CBB, através do gerente de desenvolvimento do 3x3, Chico Chagas, preferiu não se pronunciar. Citou apenas que no momento não teria informações para repassar sobre a não realização das etapas de abril, maio e julho do calendário que foi divulgado pela entidade. A questão financeira, contudo, tem pesado na Confederação Brasileira de Basketball. Árbitros que trabalharam na etapa do Rio de Janeiro não receberam. E os times que subiram ao pódio no evento de março também não ganharam seus prêmios. O campeão teria direito a R$ 2,5 mil nos naipes masculino e feminino adulto. A realização da etapa do Rio de Janeiro, inclusive, foi um dos exemplo citados pela CBB para conseguir em junho a retirada definitiva da suspensão imposta pela Fiba em novembro de 2016.
Atualmente, o Brasil é o sexto colocado no ranking masculino da Fiba e 16º no feminino. Se a Olimpíada de Tóquio fosse agora, os homens estariam classificados, mas as mulheres, não. De acordo com estudo da própria Federação Internacional de Basquete, 70% dos eventos 3x3 do mundo são realizados por Associações e não confederações. A ANB realiza ao menos um evento por mês, no masculino e no feminino. A Fiba, inclusive, cobra uma taxa de royalties de 2,5 mil euros por torneio. E nos dois últimos anos criou o circuito sub-23, ação que rendeu ao Brasil pontos para a disputa do Mundial entre homens e mulheres. Porém, a ida para os torneios pode não acontecer, já que a CBB, em conversa com atletas, teria dito que não tem condições de enviar as equipes.

- O basquete é uma modalidade muito forte mundialmente, mas confederações mal conseguem administrar o basquete. O 3x3, por mais que criem departamentos, vão sempre ter dificuldade, já que o recurso vai primeiro para o basquete. O peso olímpico de medalha é o mesmo e fica subjulgado. O ano de 2019 vai ser fundamental para a definição de vagas via ranking Fiba - considerou Carlos Roberto Cardozo, lembrando que a ANB já enviou 13 equipes brasileiras para torneios internacionais da Fiba através de qualificatórias realizadas no Brasil.
Neste momento, as federações nacionais buscam pontos em torneios nacionais e internacionais visando a temporada de 2019 (o Pan-Americano de Lima não terá a modalidade). Em 1º de novembro de 2018, a pontuação será fechada e assim serão definidos os times classificados para todos os torneios do ano seguinte, como Copa do Mundo, entre outros. Este ano, o Brasil perdeu a chance de pontuar através dos Jogos Sul-Americanos de Cochabamba, já que o Comitê Olímpico do Brasil priorizou o envio de delegações que brigariam por vaga no Pan de Lima, e o 3x3 não está no programa da competição.
- Mostramos que não é preciso ser uma confederação no Brasil para fazer o esporte. Provamos isso. Não existe dono. Essa é a maior questão do esporte no Brasil em geral. Nós não somos donos, trabalhamos e fazemos acontecer. Daí para frente não conseguimos andar mais. Seleção, Olimpíadas, Mundial, dizem que não precisamos nos preocupar. Mas, eu, como interessado no esporte, vou cruzar os braços e não chegar a lugar algum? Nós trabalhamos e queremos trabalhar em conjunto - disse Carlos Roberto Cardozo.
Entenda como funciona o sistema olímpico
Um dos caçulas do programa olímpico, o basquete 3x3 tem formato diferente de classificação para os Jogos Olímpicos. As vagas serão decididas pelo ranking da Fiba. E a lista funciona de uma forma bem específica, através de janelas. Ela abre e fecha todo dia 1º de novembro. Neste momento, as federações nacionais buscam pontos em torneios nacionais e internacionais visando a temporada de 2019 (o Pan-Americano de Lima não terá a modalidade). Em 1º de novembro de 2018, a pontuação será fechada e assim serão definidos os times classificados para todos os torneios do ano seguinte, como Copa do Mundo, entre outros.
O ranking das federações é feito através da soma dos pontos dos 100 primeiros atletas do país em cada um dos naipes. Assim, a cada etapa nacional, torneio internacional, campeonato de seleções e etapas da World Tour da Fiba, os atletas somam pontos pessoais e acrescentam pontos para os seus países. Quanto mais torneios realizados no Brasil e a cada vez que o país atua no exterior com seus atletas, a pontuação brasileira sobe, por isso a importância da ANB 3x3 no momento em que a CBB não consegue realizar seus eventos. As ações, por sinal, ajudaram a colocar o Brasil no Mundial masculino que foi realizado nas Filipinas este ano e também na Olimpíada da Juventude, que acontece em outubro, na Argentina.
Fonte: Globo Esporte