Em meio a críticas ao protocolo, CBF classifica volta do Brasileirão como um sucesso

Em comissão na Câmara dos Deputados, diretor médico da entidade diz que incidência de casos positivos no futebol caiu de 5,8% para menos de 1% em 15 dias

Por GE,

A volta do futebol foi tema de debate da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19 na manhã desta quarta-feira, na Câmara dos Deputados. Virtualmente, a audiência pública contou com as participações de deputados, representantes da CBF, de clubes da Série A, da imprensa esportiva e de torcidas organizadas.


Foto: Richard Pinheiro/GloboEsporte.com

A comissão, presidida pelo deputado e médico carioca Luiz Antônio Teixeira (PP-RJ), foi instalada no dia 11 de fevereiro e já realizou 76 reuniões sobre os impactos da Covid-19 nos mais diversos setores da sociedade. O requerimento para tratar o futebol na audiência desta quarta foi proposto pelo deputado e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP).


Comissão de combate à Covid-19 na Câmara dos Deputados — Foto: Reprodução/TV Câmara

O primeiro convidado a falar na reunião desta quarta foi o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. No discurso, Feldman defendeu a retomada do futebol em meio à pandemia e classificou como 'sucesso' a experiência até agora.

– Tivemos alguns casos relevantes, como o do Goiás e do CSA, mas todos foram tratados com muita responsabilidade, com a suspensão dos jogos ou com a decisão de que os plantéis disponíveis eram possíveis para a partida. Fizemos ajustes necessários, mas o resultado é positivo e nos dá segurança para prosseguir – argumentou Feldman.


Pedro Geromel, zagueiro do Grêmio, em teste para Covid-19 — Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

Diretor-médico da CBF e coordenador do protocolo nacional da entidade, Jorge Pagura traçou um panorama geral e trouxe números da volta do futebol no país. Segundo o médico, de cerca de 4.200 testes PCR-RT (mais indicado para identificar o vírus ativo no corpo) realizados até agora, 116 tiveram diagnóstico positivo.

– Na primeira rodada de testes, antes do Campeonato Brasileiro, foram 74 positivos, cerca de 5,7% do total de testes. Na testagem seguinte, caímos para 1,8% de positivos, cerca de 26 atletas. E agora na última, foram 16 positivos, indicando uma queda de 5,7% para menos de 1% em um intervalo de 15 dias – detalhou Pagura.


Jorge Pagura, diretor médico da CBF — Foto: Lucas Figueiredo/CBF

De acordo com Jorge Pagura, os testes e acompanhamentos foram realizados nos 60 clubes das Séries A, B e C do Brasileirão. Até agora, apenas Goiás, CSA-AL, Imperatriz-MA e Ypiranga-RS, onde houveram surtos de Covid-19, foram responsáveis deles representaram mais de 50% dos resultados positivos até agora.

– Os resultados iniciais são altamente positivos. Mostram diminuição acentuada em três rodadas, de 5% para menos de 1%. Hoje temos uma situação controlada, mas não podemos deixar que descontrole – completou Pagura.

Jornalistas e Organizadas criticam volta

Além da CBF, representantes da ala médica de Flamengo e Corinthians e todos os deputados presentes na comissão falaram a favor da volta do futebol, desde que respeitados os protocolos de saúde.

Falaram contra o retorno representantes da imprensa e das torcidas organizadas, e o discurso mais enfático foi feito pelo jornalista Juca Kfouri.

– Estou participando de uma reunião como se estivéssemos em uma audiência na Finlândia, vendo as coisas serem tratadas como se estivéssemos sendo exemplo, e não o epicentro da Covid-19 na América do Sul – criticou Juca.


Jornalista Juca Kfouri — Foto: Pedro França/Agência Senado

– Uma única morte por causa de um jogo de futebol justifica que não haja futebol. Isso é uma posição de cuidado com a vida. Futebol não é atividade essencial – completou.

Além dele, Alex Sandro Gomes, presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas, também se posicionou contrário à volta do futebol em meio à pandemia.

– Torcedor se aglutina para prestigiar o clube do coração, principalmente nos centros periféricos. Será que alguém pensou nisso? Temos que levar em consideração que futebol sem torcedor não é futebol. Futebol em tempos de pandemia não pode ser alegria, não pode trazer alegria. O reflexo, sobretudo na periferia, é enorme – defendeu Alex Sandro.

Flamengo pede debate por volta de público

O Flamengo foi o clube mais representado na audiência pública. Participaram virtualmente o presidente do clube, Rodolfo Landim, e o médico Marcio Tannure. Os dois usaram a palavra para defender o protocolo de prevenção adotado pelo Rubro-Negro e pedir o início de um debate pela volta do público nos estádios.


Márcio Tannure, à esquerda, e Rodolfo Landim, à direita de Bolsonaro, em encontro em Brasília — Foto: Divulgação

– Fiquei muito orgulhoso de todo o trabalho que foi feito. Demonstramos que podemos fazer uma atividade segura, e acho que agora é hora de partir para a próxima discussão, que é sobre a volta da torcida aos estádios, sempre com a profunda discussão com as autoridades de saúde para que isso possa ocorrer – disse Landim.

Na opinião do médico do clube, Marcio Tannure, essa volta do público deveria ser feita de forma regionalizada, de acordo com a situação epidemiológica de cada estado.

– A gente vem acompanhando os números e entende que, se em outros estados está aumentando, aqui no Rio está diminuindo. Com distanciamento, uso de máscara, álcool em gel e tudo isso, dá para aumentar a segurança e usar o esporte para mostrar como pode ser esse 'novo normal' – defendeu Tannure.

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