Julgamento define futuro de Aparecidense e Ponte Preta na Copa do Brasil; entenda o caso
Macaca alega interferência externa em anulação de gol e tenta impugnar partida; Tribunal vai decidir se mantém o resultado (vitória por 1 a 0 da Aparecidense) ou marca novo duelo
Aparecidense e Ponte Preta vão conhecer na tarde desta sexta-feira o futuro na Copa do Brasil. Dez dias depois de se enfrentarem em campo, com vitória por 1 a 0 para os goianos, os times voltam a ficar em lados opostos, mas agora nos tribunais.
Em sessão extraordinária a partir das 16h na sede da OAB-CE, em Fortaleza, o Pleno do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), julgará o pedido da Macaca de impugnação da partida. Os auditores vão definir se o resultado será mantido ou se um novo duelo será marcado.
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Julgamento vai definir futuro de Aparecidense e Ponte — Foto: Reprodução SporTV
A comissão da instância máxima do órgão será formada por oito membros: Paulo César Salomão Filho (presidente), Ronaldo Botelho Piacente (relator), João Bosco, José Perdiz, Antônio Vanderler, Arlete Mesquita, Flávio Boson e Sormane Oliveira de Freitas. É necessário a maioria simples dos votos. Se houver empate, a palavra final será do presidente Paulo César Salomão.
A alegação da Ponte é que houve interferência externa na anulação do gol de Hugo Cabral, aos 44 minutos do segundo tempo. Já a Aparecidense considera que não houve nenhuma irregularidade na decisão da arbitragem de voltar atrás.
Relembre o caso
A polêmica começou quando Hugo Cabral, em posição ilegal, aproveitou rebote e empurrou para as redes. O auxiliar Samuel Oliveira da Costa (CE), responsável pela jogada, não levantou a bandeira, e o árbitro Leo Simão Holanda (CE) validou o gol. A partir daí, os jogadores da Aparecidense começaram a pressionar a arbitragem, e a partida ficou paralisada por quase 16 minutos.
Durante esse tempo, diversas pessoas que não estão autorizadas entraram em campo e conversaram com a arbitragem. A Ponte alega que o delegado Adalberto Grecco, que é de Goiás, passou alguma informação ao auxiliar Samuel Oliveira da Costa, quando os dois têm um rápido contato à beira do campo.
Sete minutos depois do gol, a arbitragem volta atrás e decide anular o lance, marcando impedimento de Hugo Cabral. No dia seguinte, o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Coronel Marcos Marinho, anunciou a suspensão do trio por erros técnicos e de procedimento.
Na sequência, a Procuradoria-Geral do STJD abriu, por iniciativa própria, um procedimento preliminar para investigar a conduta da arbitragem. Depois foi a vez de o departamento jurídico da Ponte, na sexta-feira, protocolar o pedido de impugnação da partida.
Trio de arbitragem foi suspenso após polêmica — Foto: Reprodução SporTV
Ao receber a denúncia, o presidente do STJD, Paulo César Salomão Filho, determinou que o resultado do jogo fosse suspenso até a decisão final, deixando a classificação da Aparecidense sub judice.
Pela necessidade do caso, já que o duelo da Aparecidense com o Bragantino-PA, pela segunda fase da Copa do Brasil, está previsto 27 de fevereiro, Salomão também incluiu o caso na pauta de sexta-feira. Além das partes envolvidas, a Procuradoria do STJD vai se manifestar durante a sessão.
Como cada clube vai agir
A linha da Ponte no tribunal vai seguir o conteúdo da denúncia, mas com a apresentação do que o jurídico alvinegro considera "provas irrefutáveis" de que houve interferência externa, como vídeos da confusão em ordem cronológica e áudios de entrevistas e comentários sobre a situação. Os principais argumentos do clube vão recair sobre a postura do delegado da partida.
Os advogados da Macaca entendem que ele infringiu as regras ao passar informações de fora para o auxiliar e permitir a entrada no campo de pessoas não autorizadas, como jogadores reservas, integrantes da comissão técnica e até dirigentes da Aparecidense. Na visão da Ponte, toda a pressão influenciou na decisão do árbitro. O advogado João Felipe Artioli estará presente na audiência para defender a tese.
Bronca maior da Ponte é com o delegado da partida — Foto: Reprodução SporTV
Do lado da Aparecidense, o clima é de tranquilidade. O clube goiano contratou um advogado no Rio de Janeiro para o julgamento. O objetivo, segundo o diretor de futebol João Rodrigues, será mostrar que não houve interferência externa.
- Não houve nada irregular, não houve interferência. Vamos mostrar que a Aparecidense não teve nada a ver com a decisão do árbitro. Ele voltou atrás ao ver que tinha errado – disse João Rodrigues.