Centro Histórico de São Luís tem 87 casarões sob risco de desabamento

Abandono ameaça patrimônio da Unesco e expõe fragilidade das políticas de preservação

Por Redação Portal AZ,

O Centro Histórico de São Luís, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Mundial desde 1997, enfrenta uma das mais graves crises de conservação de sua história. Levantamento da Defesa Civil aponta que 87 casarões estão sob risco crítico de desabamento, enquanto outros 58 apresentam risco médio de perda patrimonial, acendendo o alerta sobre o futuro do conjunto arquitetônico da capital maranhense.

Foto: ReproduçãoImóveis históricos sob risco reacendem debate sobre preservação em São Luís.
Imóveis históricos sob risco reacendem debate sobre preservação em São Luís.

O cenário de degradação se espalha pelas ruas do centro histórico, onde fachadas deterioradas, azulejos centenários desprendidos e imóveis sustentados por escoras improvisadas evidenciam décadas de abandono. Em maio, dois casarões desabaram na Rua da Saúde.

Os dados mais recentes da Defesa Civil indicam que 144 imóveis são monitorados regularmente desde 2018, especialmente durante o período chuvoso. Especialistas atribuem o agravamento da situação à combinação entre falta de manutenção contínua, ausência de políticas públicas permanentes, ação das chuvas, elevada umidade e salinidade características da região.

Com mais de 5 mil imóveis de valor histórico, São Luís abriga um dos maiores acervos arquitetônicos coloniais do país. Cerca de 90% dos bens tombados pertencem à iniciativa privada, o que amplia os desafios relacionados à conservação. Pela legislação, a responsabilidade pela manutenção cabe aos proprietários, enquanto órgãos públicos atuam na fiscalização e orientação técnica.

O impasse tem chegado ao Judiciário. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), mais de 80 ações tramitam com o objetivo de obrigar proprietários a promover intervenções para preservar os imóveis históricos.

Além do risco estrutural, especialistas alertam para a possibilidade de comprometimento do reconhecimento internacional concedido pela Unesco. Para o historiador Diogo Gualhardo, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a falta de políticas consistentes de preservação pode colocar em xeque o título conquistado pela cidade.

"O risco existe. Já tivemos exemplos de cidades que estiveram próximas de perder esse reconhecimento por causa do descaso com o patrimônio", afirmou.

A deterioração também afeta diretamente a rotina dos moradores e a atividade turística. Guias relatam a necessidade de alterar roteiros para evitar áreas consideradas inseguras, enquanto residentes convivem com o temor de novos desabamentos, especialmente durante o período de chuvas.

Em maio, o Governo do Maranhão anunciou um pacote de revitalização de 22 imóveis históricos com recursos estaduais, federais e parcerias privadas. No entanto, os prédios contemplados não incluem os casarões apontados pela Defesa Civil como os de maior risco estrutural.

Especialistas defendem que a recuperação do Centro Histórico exige ações integradas entre os governos municipal, estadual e federal, além de incentivos à ocupação sustentável da região. Para eles, preservar o patrimônio vai além da restauração física dos imóveis: trata-se de garantir que a história permaneça viva e integrada à dinâmica urbana contemporânea.

Fonte: Com informações do G1

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