Emprego em alta reduz impacto dos juros, mas ainda desafia corte da Selic

Desemprego cai a 5,4%, enquanto mercado segue aquecido apesar de sinais de desaceleração.

Por Redação Portal AZ,

A queda da taxa de desemprego para 5,4% no trimestre encerrado em junho reforça a resiliência do mercado de trabalho brasileiro diante dos juros elevados. Na avaliação de economistas, o nível recorde de ocupação tem sustentado o consumo e a atividade econômica, mas também dificulta o espaço para uma redução da taxa Selic, ao manter pressões sobre a inflação de serviços.

Foto: Reprodução/InternetMercado de trabalho segue aquecido, mas economistas veem sinais graduais de perda de fôlego.
Mercado de trabalho segue aquecido, mas economistas veem sinais graduais de perda de fôlego.

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a taxa de desocupação atingiu o menor nível para um trimestre encerrado em junho desde o início da série histórica, em 2012. O país contabiliza atualmente 103,1 milhões de pessoas ocupadas.

Para analistas do mercado financeiro, a força do emprego tem compensado parte dos efeitos da política monetária restritiva. Com a Selic em 14,25% ao ano, o consumo das famílias continua sendo sustentado pela massa de rendimentos, que alcançou R$ 380,3 bilhões no trimestre, alta de 3,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Na avaliação de economistas, esse cenário ajuda a explicar a continuidade do crescimento da economia, mesmo diante do crédito mais caro. Ao mesmo tempo, um mercado de trabalho aquecido mantém a demanda por serviços em níveis elevados, o que dificulta o controle da inflação e reduz a margem para cortes nos juros básicos.

Apesar da resiliência, especialistas apontam que começam a surgir sinais de desaceleração. Indicadores ajustados sazonalmente mostram estabilidade da taxa de desemprego, menor ritmo de abertura de empresas e perda de dinamismo na criação de vagas, sugerindo que os efeitos dos juros elevados começam a alcançar o mercado de trabalho.

Outro aspecto observado é a estabilidade da renda média. Embora o rendimento habitual permaneça acima do registrado há um ano, o avanço perdeu intensidade nos últimos meses, refletindo um processo gradual de acomodação da atividade econômica.

A composição das novas ocupações também chama atenção. Economistas destacam que parte do crescimento recente ocorreu em empregos informais e no setor público, enquanto o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado permaneceu praticamente estável. O movimento indica um mercado ainda aquecido, mas com menor qualidade na geração de postos de trabalho.

Na avaliação de instituições financeiras e consultorias, o conjunto dos indicadores reforça a expectativa de desaceleração gradual da economia ao longo do segundo semestre, sem uma deterioração expressiva do emprego. Esse cenário deve ser acompanhado de perto pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que volta a se reunir nos próximos dias para definir os rumos da taxa Selic.

Fonte: Infomoney

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