Eletrobras vende fatia na Eletronuclear à J&F por R$ 535 milhões

Acordo marca entrada dos irmãos Batista na energia nuclear e alivia obrigações da estatal

Por Carlos Sousa,

A Eletrobras anunciou nesta quarta-feira (15) a venda de sua participação minoritária na Eletronuclear para a J&F Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, por R$ 535 milhões. O contrato foi assinado por meio da Âmbar Energia, braço do grupo no setor elétrico, e marca a estreia do conglomerado no segmento de geração nuclear.
 

Foto: ReproduçãoEletronuclear em Angra dos Reis
Eletronuclear em Angra dos Reis
Foto: ReproduçãoEletronuclear em Angra dos Reis
Eletronuclear em Angra dos Reis

Com o negócio, a Âmbar passará a deter 68% do capital total e 35,3% do capital votante da Eletronuclear, que seguirá sob controle do governo federal, por meio da ENBPar. A transação ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores, mas representa um passo importante na reestruturação financeira da estatal nuclear, que enfrenta desequilíbrio e risco de insolvência, conforme alertou o Ministério de Minas e Energia (MME).

A J&F assumirá todas as responsabilidades anteriormente atribuídas à Eletrobras na Eletronuclear, incluindo garantias prestadas à empresa e a futura integralização das debêntures firmadas com a União, no valor de R$ 2,4 bilhões. A Eletrobras, por sua vez, afirmou que a operação melhora o perfil de risco e libera capital antes comprometido com o setor nuclear, do qual a companhia já vinha buscando se desfazer desde a sua privatização.

A Eletronuclear é responsável pela operação das usinas Angra 1 (640 megawatts), Angra 2 (1.350 MW) e pelo desenvolvimento de Angra 3 (1.405 MW), localizada em Angra dos Reis (RJ). O projeto de Angra 3, iniciado em 1984, tem sido um dos maiores desafios financeiros da empresa, acumulando paralisações e aumento de custos ao longo das décadas.

O processo competitivo de venda da fatia da Eletrobras começou em 2023 e contou com assessoria do BTG Pactual. Segundo a empresa, a operação resultará em uma provisão de cerca de R$ 7 bilhões, registrada no terceiro trimestre de 2025.

Para a Âmbar Energia, a aquisição amplia e diversifica seu portfólio de geração, que já inclui usinas hidrelétricas, solares e termelétricas movidas a biodiesel, biomassa, biogás e gás natural. O presidente da Âmbar, Marcelo Zanatta, destacou que a energia nuclear oferece “estabilidade, previsibilidade e baixas emissões”, atributos estratégicos num contexto de descarbonização e de aumento da demanda por eletricidade impulsionada pela inteligência artificial e pela digitalização da economia.

Além do potencial tecnológico, a Âmbar vê na Eletronuclear uma fonte de receita de longo prazo, já que as usinas de Angra operam sob contratos estáveis e regulados. A expectativa é que a nova composição acionária traga fôlego financeiro e maior segurança para a continuidade das obras de Angra 3, consideradas prioritárias pelo governo federal para ampliar a matriz energética nacional.

Fonte: G1

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