MEC entrega menos de 40% dos livros em braille previstos para 2026
Atraso na distribuição afeta alunos cegos da rede pública em todo o país
Estudantes cegos da rede pública começaram o ano letivo de 2026 sem acesso completo aos livros em braille prometidos pelo Ministério da Educação. Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) mostram que menos de 40% dos exemplares previstos foram entregues às escolas até maio.
Responsável pela distribuição do material por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), o FNDE informou que os livros restantes devem chegar às escolas até junho, já no fim do primeiro semestre letivo.
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A demora tem afetado diretamente o aprendizado de milhares de alunos com deficiência visual. É o caso de Abiel Benjamin, de 9 anos, estudante de uma escola municipal da zona Norte de São Paulo, que ainda não recebeu nenhum livro adaptado neste ano. Sem o material, professores recorrem a adaptações improvisadas em sala de aula.
Segundo especialistas, o braille é essencial para garantir autonomia e desenvolvimento pedagógico aos estudantes cegos. O diretor-geral do Instituto Benjamin Constant, Mauro Marcos Farias da Conceição, afirma que a ausência dos livros limita o aprendizado ao conteúdo oral apresentado pelos professores.
Dados do FNDE mostram que o governo previa inicialmente distribuir 22,3 mil livros em braille em 2026. Depois de atualização cadastral, a meta caiu para 19.373 exemplares. Até esta semana, apenas 7.354 haviam sido entregues.
Entidades ligadas à tecnologia assistiva criticam o ritmo da distribuição. Para Rodrigo Rosso, presidente da Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva (Abridef), a reação do governo ocorreu tarde demais para evitar prejuízos pedagógicos aos alunos.
Especialistas apontam que o problema não está na capacidade de produção das gráficas, mas em falhas de gestão e planejamento dentro do MEC e do FNDE. A produção de livros em braille exige etapas técnicas demoradas, incluindo adaptação, revisão por especialistas cegos, validação e impressão especial.
Outro ponto que preocupa entidades do setor é a diferença entre os números oficiais de estudantes cegos no país. Enquanto o IBGE estima cerca de 45 mil crianças e adolescentes cegos em idade escolar, o Censo Escolar do Inep registrou menos de 7 mil matrículas de alunos com deficiência visual.
Para representantes da Abridef, a discrepância pode indicar falhas no sistema de registro ou exclusão escolar de parte dessa população.
A preocupação agora é com o próximo ano letivo. Segundo especialistas e documentos analisados pela reportagem, o cronograma do PNLD 2027 já apresenta risco de novos atrasos, o que pode transformar a falta de livros em braille em um problema recorrente na educação pública brasileira.
Fonte: Com informações do G1