Analfabetismo atinge menor nível da série histórica no Brasil
Taxa cai para 4,9%, mas país ainda soma 8,4 milhões de pessoas sem alfabetização
O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, iniciada em 2016. Divulgados nesta sexta-feira (19) pelo IBGE, os dados mostram que 4,9% da população com 15 anos ou mais não sabe ler nem escrever um bilhete simples, o equivalente a 8,4 milhões de brasileiros.
O resultado representa uma redução de 592 mil pessoas em relação ao ano anterior e marca a primeira vez que o índice fica abaixo de 5% no país. Apesar do avanço, o Brasil ainda não alcançou a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024.
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A queda do indicador reflete a ampliação do acesso à educação básica nas últimas décadas, especialmente entre as gerações mais jovens. Entre pessoas de 15 a 59 anos, a taxa de analfabetismo é de 2,6%, percentual significativamente inferior ao registrado entre os idosos.
Os dados revelam, no entanto, que as desigualdades históricas continuam influenciando os resultados educacionais. A população com 60 anos ou mais concentra 58% de todos os analfabetos do país. Nessa faixa etária, 13,8% dos brasileiros não sabem ler nem escrever, o que corresponde a cerca de 4,9 milhões de pessoas.
As diferenças regionais também permanecem expressivas. O Nordeste reúne mais da metade da população analfabeta do Brasil e registra taxa de 10,6%, mais que o dobro da média nacional.
Especialistas apontam que o cenário é consequência do acesso tardio à educação formal em grande parte do território nacional. Segundo a ex-diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin, a universalização do ensino fundamental ocorreu de forma gradual e relativamente recente, o que ajuda a explicar a elevada concentração de analfabetismo entre os mais velhos.
O levantamento também evidencia disparidades raciais. Entre pessoas com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos é de 6,5%, enquanto entre brancos o índice é de 2,8%. A diferença se amplia entre os idosos, atingindo 20,6% entre pretos e pardos e 7,3% entre brancos.
Por outro lado, a pesquisa registrou um avanço inédito na escolarização da população negra. Pela primeira vez, mais da metade dos pretos e pardos com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio, alcançando 51,3%.
Além dos desafios relacionados à alfabetização, o estudo aponta dificuldades para a permanência dos jovens na escola. Entre brasileiros de 14 a 29 anos que não concluíram o ensino médio, a necessidade de trabalhar continua sendo o principal motivo para abandonar os estudos, apontada por 43% dos entrevistados.
A falta de interesse foi mencionada por 25,6% dos jovens, enquanto a gravidez aparece entre as principais razões para a evasão escolar feminina, citada por 24,7% das entrevistadas.
Fonte: SBT News