Vozes brasileiras chegam a Madrid em seminário
Vozes femininas brasileiras chegam a Madrid em seminário
Entre os dias 25 e 29 de julho de 2026, Madrid se torna um dos principais pontos de encontro da produção acadêmica e literária contemporânea voltada aos estudos de gênero com a realização do V Seminário Internacional Crítica Feminista e Autoria de Mulheres. Em sua quinta edição, o evento consolida um circuito ibero-latino-americano de reflexão crítica sobre literatura, identidade, memória e resistência, reunindo pesquisadoras, escritoras e estudantes de diferentes países em um diálogo transnacional.
A programação será realizada na Universidad Nacional de Educación a Distancia (UNED), com formato híbrido, permitindo participação presencial e transmissão online. A iniciativa articula instituições de ensino superior do Brasil e do exterior, entre elas a Universidade Estadual do Piauí (UESPI), a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), fortalecendo uma rede de produção crítica voltada às literaturas de língua portuguesa e espanhola.
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A coordenação científica do seminário é conduzida pela professora doutora Algemira Mendes, responsável pela organização de uma programação que inclui conferências, simpósios, mesas-redondas, lançamentos de livros e debates temáticos sobre as múltiplas camadas da crítica feminista contemporânea.
No campo literário, o evento reúne autoras vinculadas à Avant Garde Edições, com destaque para Marleide Lins, Jeanete Fortes (PI), Josilene Neres (PI) e Lindevânia Martins (MA), cujas obras transitam entre Brasil, Europa e América Latina, ampliando a circulação da literatura feminina em espaços internacionais.
A escritora e organizadora Marleide Lins destaca o significado de levar a produção literária brasileira ao cenário europeu. Em sua avaliação, o encontro em Madrid representa “a possibilidade de projetar vozes historicamente silenciadas em um espaço de diálogo global, onde a literatura de mulheres brasileiras, especialmente nordestinas, afirma sua potência estética e política”.
Marleide apresentará a obra bilíngue Coletânea poética mulheres afrodescendentes / Colección poética mujeres afrodescendientes – Piauí/Brasil e Pinar del Río/Cuba, organizada em parceria com o poeta cubano Nelson Simón. O livro, já lançado em diferentes países, integra projetos como “Adelante Mujer” e iniciativas antirracistas em Cuba, consolidando uma circulação literária entre territórios marcados por experiências históricas comuns.
Sobre a obra, Marleide afirma: “Trata-se de um gesto de construção de memória compartilhada, em que a poesia se torna espaço de resistência e reconhecimento das mulheres afrodescendentes nos dois territórios”.
A romancista Jeanete Fortes lança durante o seminário a obra bilíngue A casa de janelas pequenas / La casa de las ventanas pequeñas, traduzida por Wanderson Lima. Para a autora, a literatura “se converte em ponte entre línguas e sensibilidades, permitindo que histórias locais alcancem uma leitura mais ampla no espaço ibero-americano”.
Já a poeta Lindevânia Martins apresenta Para levitar acima das fogueiras / Para levitar sobre las hogueras, também em edição bilíngue. Em sua leitura poética, a autora destaca que a obra “nasce de uma escrita atravessada por experiências de dor, memória e reconstrução simbólica, em que a palavra opera como forma de permanência diante das violências históricas”.
A escritora Josilene Neres participará de mesa temática ao lado de outras autoras, em debate mediado pela professora Algemira Mendes. Para ela, o seminário “representa um espaço de fortalecimento coletivo da autoria feminina, onde a literatura deixa de ser isolada e passa a ser entendida como construção compartilhada de pensamento crítico”.
Em entrevista, a escritora e organizadora Marleide Lins destaca o significado da participação brasileira no cenário internacional. Segundo ela, estar em Madrid com a literatura produzida por mulheres nordestinas representa “levar vozes historicamente silenciadas à circulação internacional, rompendo fronteiras simbólicas e afirmando a potência da escrita feminina brasileira em diálogo com outras culturas”.
Marleide também apresenta a obra bilíngue Coletânea poética mulheres afrodescendentes / Colección poética mujeres afrodescendientes – Piauí/Brasil e Pinar del Río/Cuba, organizada em parceria com o poeta cubano Nelson Simón. Sobre o projeto, ela explica que a iniciativa nasceu do encontro entre experiências literárias e históricas marcadas pela ancestralidade: “Trata-se de um gesto de construção de memória compartilhada, em que a poesia se torna espaço de resistência e reconhecimento das mulheres afrodescendentes nos dois territórios”.
A autora acrescenta ainda que o impacto do projeto ultrapassa o campo estético, alcançando dimensões sociais e políticas ao articular Brasil e Cuba em uma mesma tessitura poética de enfrentamento ao racismo e às desigualdades.
A romancista Jeanete Fortes também integra a programação com o lançamento de A casa de janelas pequenas / La casa de las ventanas pequeñas, obra bilíngue traduzida por Wanderson Lima. A autora observa que a literatura, nesse contexto, “se converte em ponte entre línguas e sensibilidades, permitindo que histórias locais alcancem uma leitura mais ampla no espaço ibero-americano”.
Já a poeta Lindevânia Martins apresenta Para levitar acima das fogueiras / Para levitar sobre las hogueras, igualmente em edição bilíngue. Em sua leitura poética, a autora destaca que a obra “nasce de uma escrita atravessada por experiências de dor, memória e reconstrução simbólica, em que a palavra opera como forma de permanência diante das violências históricas”.
A escritora Josilene Neres participará de mesa temática ao lado de outras autoras, em debate mediado pela professora Algemira Mendes. Para ela, o seminário representa um espaço de fortalecimento coletivo da autoria feminina, onde a literatura deixa de ser isolada e passa a ser entendida como construção compartilhada de pensamento crítico.
Em sua avaliação geral sobre o papel da literatura, Marleide Lins reforça o caráter interventivo da escrita: “A literatura não é neutra. Ela observa o mundo, mas também o tensiona. Escrever é participar ativamente da construção de narrativas que podem reconfigurar imaginários sociais”.
O V Seminário Internacional Crítica Feminista e Autoria de Mulheres estrutura sua programação em eixos que abordam temas como literatura indígena, crítica feminista, teoria queer, feminismos negros, decolonialidade, transfeminismos e memórias plurais. A proposta amplia o debate sobre as múltiplas formas de existência e produção literária feminina no contexto contemporâneo.
Mais do que um encontro acadêmico, o evento se afirma como um espaço de circulação de ideias, livros e experiências que reposicionam a autoria feminina no centro das discussões culturais ibero-americanas, consolidando Madri como um ponto de convergência entre produção intelectual, arte e resistência.
Fonte: Portal AZ