Remédios contra ressaca funcionam? Especialistas explicam o que é mito e verdade

Estudos indicam que apenas um produto atua antes da absorção do álcool; prevenção ainda é o melhor caminho

Por Redação Portal AZ,

Com o aumento do consumo de álcool nas confraternizações de fim de ano, cresce também a busca por medicamentos que prometem evitar a ressaca. Especialistas, no entanto, afirmam que a maioria desses produtos atua apenas no alívio de sintomas e não interfere no metabolismo do álcool no organismo.

Foto: Reprodução/InternetRemédios contra ressaca funcionam? Especialistas explicam o que é mito e verdade
Remédios contra ressaca funcionam? Especialistas explicam o que é mito e verdade

A ciência ainda não encontrou um remédio capaz de impedir completamente os efeitos da ressaca. Segundo o hepatologista Raymundo Paraná, professor da Universidade Federal da Bahia, apenas um produto lançado recentemente no Reino Unido apresenta uma proposta diferente: reduzir a absorção do álcool ainda no intestino.

O suplemento, chamado Myrkl, utiliza cepas específicas de probióticos que transformam o álcool em substâncias menos tóxicas antes que ele chegue ao fígado. Estudos iniciais indicaram redução significativa da concentração de álcool no sangue, mas a evidência científica ainda é limitada e baseada em amostras pequenas.

Apesar da novidade, produtos amplamente consumidos no Brasil, como Engov, Epocler e sal de frutas, não aceleram a eliminação do álcool nem protegem o fígado. O que eles fazem, segundo especialistas, é aliviar sintomas pontuais, como dor de cabeça, azia ou enjoo.

A ressaca é um fenômeno complexo, provocado principalmente pelo acúmulo de acetaldeído — uma substância tóxica gerada na metabolização do álcool — além de desidratação, inflamação, alterações hormonais e queda da glicose no sangue. Por isso, um único comprimido dificilmente resolve todos os efeitos.

Médicos alertam ainda para os riscos do uso inadequado desses medicamentos. A associação de álcool com analgésicos como ácido acetilsalicílico ou paracetamol pode aumentar a irritação gástrica e sobrecarregar o fígado, especialmente em pessoas que beberam em excesso.

A recomendação consensual entre especialistas é simples: comer antes de beber, consumir álcool lentamente, alternar com água e garantir uma boa hidratação. Dormir bem também ajuda o organismo a se recuperar mais rapidamente.

Outro ponto de atenção é a combinação de álcool com energéticos, considerada perigosa por aumentar o risco de arritmias cardíacas e mascarar sinais de intoxicação. Mulheres e pessoas mais velhas tendem a sentir os efeitos do álcool de forma mais intensa, devido a diferenças fisiológicas na metabolização.

Segundo os especialistas, não existe atalho seguro. A ressaca dura, em média, de seis a 12 horas, período em que o corpo elimina naturalmente as toxinas. Até lá, hidratação e alimentação leve seguem sendo as únicas estratégias realmente eficazes.

Fonte: Com informações do G1

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