Ataque a instalações petrolíferas eleva tensão no Oriente Médio
Conflito entre Irã, EUA e Israel impacta mercado global de energia
Um ataque coordenado por forças dos Estados Unidos e de Israel atingiu, neste domingo, quatro instalações de armazenamento de petróleo nas províncias de Teerã e Alborz, no Irã. Os bombardeios atingiram depósitos de combustível e um centro logístico de produtos petrolíferos, provocando grandes incêndios e ampliando a tensão no conflito no Oriente Médio.
Segundo autoridades locais, ao menos seis pessoas morreram e cerca de 20 ficaram feridas. Em um dos depósitos atingidos na capital iraniana, o combustível continuava em chamas mais de 12 horas após os ataques, enquanto equipes de emergência trabalhavam para controlar o fogo.
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Moradores de Teerã relataram que a cidade amanheceu com o céu coberto por densas colunas de fumaça escura. O cenário foi descrito por testemunhas como devastador, com o impacto visual das explosões e dos incêndios se espalhando por diferentes áreas da capital.
Foi a primeira vez, desde o início da guerra, que a infraestrutura petrolífera iraniana foi diretamente alvo de bombardeios. A escalada militar passou a gerar reflexos imediatos no mercado internacional de energia.
Desde o início do conflito, o preço do petróleo Brent, referência global, acumula alta próxima de 30%. No início da noite de domingo, o barril chegou a ser negociado a US$ 108,25, com avanço de 17,2%. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, também registrou forte valorização e alcançou US$ 107,79.
A tensão no mercado reflete, em parte, o risco envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente passa pela região. Nos últimos dias, o tráfego de navios no local chegou a ser interrompido, aumentando as preocupações com o abastecimento internacional.
Apesar da escalada militar, o governo iraniano tentou transmitir uma imagem de estabilidade interna. Autoridades do país anunciaram, inclusive, que já teriam definido um sucessor para o líder supremo Ali Khamenei.
Ao mesmo tempo, integrantes do governo alertaram para os impactos econômicos do conflito. O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, afirmou que a continuidade da guerra pode comprometer não apenas a venda de petróleo do país, mas também sua capacidade de produção.
Segundo ele, os efeitos do conflito podem ultrapassar as fronteiras iranianas e afetar diretamente a economia global. Qalibaf afirmou que a escalada militar pode gerar prejuízos a países da região e também aos próprios Estados Unidos.
Em resposta aos bombardeios, o Irã lançou ataques contra instalações energéticas em Israel, Arábia Saudita e Catar, países considerados aliados estratégicos de Washington no Oriente Médio.
Com o conflito chegando ao nono dia, analistas avaliam que a combinação de ataques à infraestrutura energética, riscos logísticos e possíveis interrupções no transporte de petróleo pode aumentar a volatilidade no mercado internacional.
No Brasil, especialistas apontam que a alta do petróleo tende a gerar reflexos na economia. O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis avalia que eventuais bloqueios ou ataques à infraestrutura energética da região podem causar fortes impactos no abastecimento global.
Segundo a entidade, grandes economias asiáticas, como China, Índia e Japão, estariam entre as mais afetadas por eventuais interrupções no fluxo de petróleo.
O especialista em direito tributário Fabrício Tonegutti afirma que o aumento do preço internacional do petróleo costuma repercutir diretamente no mercado brasileiro, principalmente no valor dos combustíveis.
De acordo com ele, embora o Brasil seja produtor de petróleo, o país ainda importa derivados e utiliza os preços internacionais como referência para a formação do valor final ao consumidor.
Fonte: Correio Braziliense