Preço do petróleo cai após alívio na crise com o Irã
Preços caem com discussões sobre reservas e sanções ao Irã.
Os preços do petróleo registraram uma queda significativa nesta terça-feira, 10. Após alcançarem os níveis mais altos em mais de três anos na sessão anterior, os valores despencaram devido a sinais de um possível alívio na crise gerada pela guerra no Irã e pela discussão sobre a liberação de reservas estratégicas.
Por volta das 12h40, horário de Brasília, o Brent, referência global, apresentava uma queda de 11,53%, cotado a US$ 87,55 por barril. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, recuava 12,16%, situando-se em US$ 83,25. Na véspera, o petróleo havia atingido quase US$ 120 por barril, marcando o maior nível desde meados de 2022, em meio a temores sobre a oferta global com a escalada das tensões no Oriente Médio.
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Expectativa por uso de reservas estratégicas
O movimento no mercado foi parcialmente impulsionado pela expectativa de que países consumidores possam utilizar reservas estratégicas para estabilizar os preços. A Agência Internacional de Energia (IEA) convocou uma reunião extraordinária para considerar a liberação de estoques emergenciais, que somam cerca de 1,2 bilhão de barris entre os mais de 30 países membros.
Autoridades americanas também consideram medidas adicionais para amenizar a pressão sobre os preços, incluindo a flexibilização de sanções ao petróleo russo e a liberação de reservas estratégicas dos Estados Unidos.
De acordo com Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, os sinais de que o petróleo continuará disponível no mercado aliviaram a pressão sobre os preços. Em nota à Bloomberg, ela destacou que as discussões sobre sanções ao petróleo russo e a possibilidade de uso de reservas pelos países do G7 indicam que a oferta será mantida.
Reações a declarações de Trump
O mercado também reagiu a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sinalizou a possibilidade de o conflito no Irã ser solucionado em um período mais curto do que o previsto. Em conversa com a CBS News, Trump mencionou que os EUA estavam "muito à frente" dos prazos inicialmente estimados.
Além disso, Trump advertiu que o Irã enfrentaria uma resposta militar intensificada caso tentasse interromper o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, uma das mais importantes vias para o comércio global de energia.
Essa região é fundamental para o transporte de cerca de 13 milhões de barris por dia, representando aproximadamente 31% do petróleo mundial transportado por via marítima, conforme dados da consultoria Kpler.
Incertezas sobre a crise no Irã
Apesar da queda nos preços do petróleo, analistas ainda buscam compreender o impacto das interrupções na oferta. Segundo a Rapidan Energy, a guerra no Irã representa a maior disrupção de oferta já registrada na indústria petrolífera.
Bob McNally, presidente da Rapidan Energy, destacou que o mercado continua avaliando a escala da crise. Para Andy Lipow, da Lipow Oil Associates, ainda é cedo para determinar os desdobramentos do conflito.
Executivos da indústria alertaram sobre os riscos de prolongamento da crise. Amin Nasser, CEO da Saudi Aramco, afirmou que a situação pode ter impactos profundos no mercado, destacando que esta é a maior crise já enfrentada pela indústria petrolífera da região.