Desigualdade no trabalho mantém jovens negras com maior desemprego

Estudo aponta renda menor, mais informalidade e obstáculos estruturais

Por Dominic Ferreira,

Mesmo diante da melhora recente nos indicadores do mercado de trabalho brasileiro, as mulheres negras jovens continuam concentrando os piores resultados em áreas como desemprego, informalidade, desalento e renda. É o que aponta um levantamento da Rede Multiatores MUDE com Elas, elaborado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) com base nos dados da PNAD Contínua 2025, do IBGE.

Foto: Noticia Preta./Pexelsok

Segundo o estudo, as desigualdades permanecem mesmo com avanços na escolarização e no aumento geral da renda. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, a taxa de desocupação entre mulheres negras chega a 24,7%, índice significativamente superior ao registrado entre homens brancos da mesma faixa etária. O cenário permanece desfavorável entre jovens de 18 a 24 anos e segue elevado também entre aquelas de 25 a 29 anos, evidenciando dificuldades persistentes no acesso e permanência no mercado formal.

O levantamento também destaca diferenças importantes na renda. Em 2025, o rendimento médio das mulheres negras correspondeu a menos da metade do recebido por homens brancos. A informalidade também aparece como um desafio relevante, atingindo parcela expressiva das jovens negras e ampliando a vulnerabilidade econômica. Outro dado apontado pela pesquisa é o crescimento do desalento, condição em que trabalhadores deixam de procurar emprego diante das dificuldades de inserção profissional.

Para os pesquisadores, os resultados revelam que o problema ultrapassa o acesso à educação e está relacionado a fatores estruturais, como desigualdade territorial, discriminação nos processos de contratação, dificuldades de mobilidade e sobrecarga histórica do trabalho de cuidado. Entre as medidas apontadas como caminhos para reduzir essas diferenças estão políticas de permanência estudantil, ampliação do acesso à creche, programas de qualificação profissional, incentivo à formalização do trabalho e fortalecimento de ações voltadas à inclusão e diversidade.

Fonte: Agência Brasil

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