Empresário investigado por lavagem de dinheiro investe US$ 100 mi em Trump

Compra de tokens levanta dúvidas sobre origem dos recursos e controles da empresa de Trump

Por Dominic Ferreira,

O empresário Guren “Bobby” Zhou, que é alvo de uma investigação por lavagem de dinheiro no Reino Unido, desembolsou cerca de US$ 100 milhões para comprar tokens da World Liberty Financial, empresa de criptomoedas ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi revelada pelo The New York Times e publicada pelo InfoMoney. Zhou teria realizado a operação por meio da Aqua 1, uma empresa criada recentemente, após deixar Londres e se mudar para os Emirados Árabes Unidos em 2024. 

Foto: Vincent Alban | The New York TimesGuren “Bobby” Zhou, ao lado de Zach Witkoff, durante a final da Copa do Mundo em Nova Jersey. Um dos maiores compradores de tokens da empresa de Trump, Zhou levanta dúvidas sobre a origem dos recursos
Guren “Bobby” Zhou, ao lado de Zach Witkoff, durante a final da Copa do Mundo em Nova Jersey. Um dos maiores compradores de tokens da empresa de Trump, Zhou levanta dúvidas sobre a origem dos recursos

A movimentação chama atenção principalmente pela trajetória empresarial de Zhou e pela origem ainda não esclarecida dos recursos utilizados na compra. Antes de se tornar um dos maiores compradores de tokens da empresa de Trump, o empresário havia trabalhado no setor de distribuição de pisos de madeira no Reino Unido e posteriormente comandado uma startup de criptomoedas que entrou em colapso, acumulando prejuízos. Um registro judicial apresentado em novembro aponta que Zhou teria participado, junto a outras cinco pessoas, de um esquema de lavagem de dinheiro iniciado em 2019. Ele, no entanto, não foi formalmente acusado, e as autoridades britânicas afirmam que a investigação continua.

Segundo a apuração, até US$ 75 milhões dos recursos empregados por Zhou na compra dos tokens foram destinados a uma empresa controlada por Trump e seus três filhos. A operação também teria beneficiado a família de Steve Witkoff, enviado especial da administração Trump e pai de Zach Witkoff, um dos cofundadores da World Liberty Financial. O caso levantou questionamentos sobre os procedimentos de controle adotados pela empresa para verificar a origem do dinheiro de seus investidores, especialmente diante do valor elevado da transação e do histórico de Zhou. 

A World Liberty Financial afirmou que mantém um programa de conformidade que atende ou supera os padrões do setor e que segue as leis e regulamentações aplicáveis. A empresa, porém, não informou se tinha conhecimento da origem dos recursos utilizados por Zhou. A Casa Branca também declarou que Trump não possui conflitos de interesse e que atua no interesse do povo americano. Enquanto isso, a origem dos US$ 100 milhões investidos por Zhou permanece sem esclarecimento público, aumentando os questionamentos sobre a transparência das operações envolvendo criptomoedas e negócios ligados ao presidente americano.

Fonte: Infomoney

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