João Freitas defende a denominação original do pica-pau-do-parnaíba
A ave também é conhecida popularmente por outras duas denominações
O empresário João Freitas Filho, que nas últimas duas décadas se converteu ao conservacionismo e defesa do meio ambiente, esforçou-se em parte desse tempo a avistar e fotografar uma ave registrada pela primeira vez 100 anos atrás, em Uruçuí, nas margens do rio Parnaíba, o que levou à sua denominação vulgar como pica-pau-do-parnaíba – ”Celeus obrieni”, em seu nome científico.
Freitas seguiu o conselho do biólogo André Grassi, que o incentivou a localizar e registrar a ave, o que fez no Nazareth Eco Hotel, em José de Freitas. “O Grassi me disse que era importante que se registrasse o pica-pau-do-parnaíba em território piauiense, para reafirmar sua origem no nosso espaço”, diz.
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João Freitas quer mudar essa situação, pois teme que o uso de outras denominações, como o agora considerado oficial (pica-pau-de-taboca, relacionado a hábito alimentar da ave) ou pica-pau-de-kaempfer, este em homenagem ao colecionador Emil Kaempfer, termine por afastar o fato comprovado de que a ave não tenha sido avistada pela primeira vez no território piauiense.
A ave também é conhecida popularmente por outras duas denominações, uma diretamente ao Piauí (pica-pau-do-piauí) e ao bioma Caatinga (pica-pau-da-caatinga).
João Freitas, que se encontra neste momento na Tanzânia, quer que a ave seja chamada somente pelo nome de pica-pau-do-parnaíba, considerando o aspecto histórico da sua descoberta. “Toda descoberta — seja uma espécie, uma teoria ou um medicamento — nasce em um lugar, sob um olhar e em um tempo determinados. A origem não é um mero detalhe: é parte essencial da identidade científica”, diz o empresário e ambientalista.
João Freitas Filho realça que o pica-pau-do-parnaíba tem seu nome “decorrente de um registro histórico, científico e simbólico do momento em que o Brasil conheceu uma de suas aves mais raras”, rememorando que sua descoberta, em 1926, às margens do rio Parnaíba, em Uruçuí “representa uma das mais importantes descobertas ornitológicas do século XX em território nacional”.
Para ele, alterar seu nome para pica-pau-da-taboca ignora não apenas o valor histórico de sua origem, “mas também o princípio básico da nomenclatura biológica: preservar a memória científica e o contexto original da descoberta!”.
Por isso, ele ingressou junto ao o CBRO – Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos – para que se reafirme o nome original pica-pau do-parnaíba, “preservando-o como patrimônio científico e histórico do Piauí e do Brasil”, pois considera que “a memória da descoberta é tão importante quanto a própria espécie.”
O empresário e ambientalista argumenta que se trata de defesa da história, da ciência e da memória nacional, daí a proposição de manter o nome vernáculo pica-pau-do-parnaíba como denominação legítima e justa de “Celeus obrieni”.
Lembra ainda que “o nome é parte da própria narrativa da descoberta — um elo entre o passado e o presente da ornitologia brasileira” e que sua alteração corresponde a “romper com a verdade histórica e reduzir a contribuição do Piauí e do rio Parnaíba, símbolos de identidade, natureza e resistência cultural”.
Ele irá procurar a PGE e a SEMAM para alinhar as medidas adequadas para restabelecer a identidade da nossa ave.
Fonte: Portal AZ