PhD de Harvard: "Brasileiros podem ter acabado de salvar a humanidade"

Vitória de Lula repercute no mundo e expõe um país dividido

Por Márcio Felipe | Jornalista | Portal AZ,

“Os brasileiros podem ter acabado de salvar a humanidade. Sem exagerar.” A frase atribuída a William Daule Chiriguayo, PhD em História pela Universidade Harvard, publicada na rede social Threads, traduz uma interpretação sobre o alcance internacional da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro de 2026. Em um cenário mundial marcado pela polarização ideológica, o resultado brasileiro ultrapassa a disputa entre dois candidatos e coloca em perspectiva os rumos da democracia e das relações políticas internacionais.

Foto: Reprodução | XOk

Os números oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 26 de outubro, confirmam a vitória de Lula com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos, correspondente a 3,58 pontos percentuais. Em 2022, Lula havia vencido Jair Bolsonaro com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10%. O resultado de 2026 assegura a continuidade do projeto político petista, mas também evidencia a força eleitoral da oposição.

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A disputa ganhou contornos ainda mais expressivos porque Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo os resultados eleitorais. No segundo turno, o petista ampliou sua votação em 10.376.694 votos, enquanto o adversário acrescentou 3.721.538 votos ao total obtido na primeira etapa. A mudança no resultado mostra a importância da mobilização eleitoral e da capacidade de conquistar votos para além das bases iniciais de cada candidatura.

A distribuição regional, detalhada pelo UOL em reportagem publicada em 26 de outubro, ajuda a compreender o desfecho. No Nordeste, Lula recebeu 24.450.432 votos, contra 10.796.736 de Flávio Bolsonaro. A vantagem de 13.653.696 votos foi decisiva para o resultado nacional. Lula venceu nos nove estados nordestinos, consolidando o desempenho da candidatura na região.

Em outras partes do país, a preferência eleitoral foi diferente. No Sudeste, Flávio obteve 26.844.501 votos, contra 24.037.731 de Lula, uma vantagem de 2.806.770 votos. No Sul, o candidato do PL recebeu 11.195.263 votos, enquanto o petista alcançou 6.809.370, diferença de 4.385.893 votos. No Centro-Oeste, Flávio somou 5.603.867 votos, contra 3.733.919 de Lula, vantagem de 1.869.948. Somadas, essas três regiões deram ao candidato do PL uma dianteira de aproximadamente 9,06 milhões de votos. No Norte, Lula venceu por apenas 1.079 votos: foram 5.024.626 contra 5.023.547 de Flávio. Consideradas as cinco regiões, a vantagem nordestina e o pequeno saldo favorável a Lula no Norte compensaram as diferenças registradas nas demais áreas do país.

A participação eleitoral também merece atenção. Segundo o balanço do TSE, 128.236.074 eleitores compareceram às urnas, de um total de 158.745.463 aptos a votar. A abstenção foi de aproximadamente 19,2%, o equivalente a 30,5 milhões de pessoas. Os votos válidos somaram 124.082.273; brancos e nulos, juntos, ultrapassaram 4,1 milhões. Esses números mostram que a leitura do resultado precisa considerar não apenas a disputa entre os candidatos, mas também a participação e as escolhas de todo o eleitorado.

No cenário internacional, a vitória ocorre em meio ao fortalecimento de movimentos nacionalistas, à polarização política e à disputa de influência entre grandes potências. A permanência de Lula na Presidência mantém o Brasil orientado para o multilateralismo, a integração latino-americana e a diversificação das relações comerciais. China, Estados Unidos, União Europeia e países do BRICS continuarão a ocupar posições relevantes na agenda diplomática brasileira. O desafio será defender os interesses nacionais sem comprometer oportunidades de comércio, investimento, inovação e cooperação científica.

A repercussão internacional, entretanto, não elimina os problemas internos. O novo mandato terá de responder a questões concretas, como custo de vida, emprego, segurança pública, educação, saúde e desigualdade social. A continuidade das políticas de transferência de renda precisará caminhar ao lado da geração de oportunidades, do crescimento econômico e da responsabilidade fiscal. No Congresso Nacional, a capacidade de negociação será determinante para transformar compromissos eleitorais em políticas públicas.

A preservação da democracia também exigirá responsabilidade institucional. Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional e Poder Executivo têm atribuições distintas, que precisam ser respeitadas. O cumprimento da Constituição, a garantia do devido processo legal e a liberdade de expressão não podem depender da preferência política de quem ocupa o poder. A estabilidade institucional é condição para que divergências sejam enfrentadas sem comprometer os direitos dos cidadãos.

A fala do pesquisador de Harvard nas redes sociais expressa uma interpretação enfática sobre o significado da eleição. Seu alcance histórico, porém, dependerá dos acontecimentos posteriores. A vitória de 25 de outubro poderá ampliar a influência internacional do Brasil se o governo conseguir transformar o mandato recebido em avanços sociais, econômicos e institucionais. O mundo acompanhará os próximos passos; a população brasileira, acima de tudo, cobrará resultados.

Fonte: Portal AZ

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