Bradesco eleva juros de imóvel para 15% ao ano

Reajuste inesperado impacta financiamentos imobiliários

O Bradesco surpreendeu o mercado ao elevar sua taxa mínima de financiamento imobiliário para 15% ao ano, além da Taxa Referencial (TR). O aumento, de 3,3 pontos percentuais, destoa do padrão observado em outras instituições financeiras, que costumam realizar ajustes mais modestos. Antes do reajuste, a taxa mínima era de 11,7% ao ano.

A mudança colocou o Bradesco no topo das taxas entre os grandes bancos brasileiros, aproximadamente três pontos acima do segundo colocado. Esse movimento ocorre em um contexto onde a taxa básica de juros do país, a Selic, foi reduzida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para 13,75% ao ano.

Paulo Padro, cofundador da MySide e especialista em crédito imobiliário, destacou que nunca havia visto um aumento dessa magnitude. Para ele, a decisão pode ser uma estratégia defensiva do banco para limitar novas operações diante das incertezas econômicas.

Impacto financeiro significativo

A nova taxa tem um efeito direto no bolso dos consumidores. Em uma simulação feita com base em um financiamento de R$ 500 mil por 30 anos pelo sistema SAC, a primeira parcela sobe de R$ 6.020 para R$ 7.246. Ao longo do contrato, os juros pagos aumentam de R$ 836 mil para R$ 1,06 milhão.

A decisão do Bradesco ocorre enquanto o setor vive alta na demanda por crédito imobiliário. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), houve crescimento de 23% na concessão desse tipo de crédito no primeiro semestre de 2026 comparado ao mesmo período do ano anterior.

Mudança no cenário financeiro

Com a redução na participação da poupança como fonte tradicional de funding - que caiu de 34% em dezembro de 2023 para 29% em dezembro de 2025 -, os bancos estão mais dependentes dos instrumentos financeiros do mercado. Isso aumenta o custo geral dos empréstimos habitacionais.

O Bradesco não se manifestou sobre as razões específicas para o reajuste até o fechamento desta reportagem. Outros grandes bancos também foram procurados pela EXAME para comentar possíveis mudanças nas suas taxas.

A próxima reunião do Copom está marcada para novembro e poderá influenciar futuras alterações nas taxas praticadas pelos bancos. Paulo Padro não descarta que outras instituições sigam o exemplo do Bradesco nos próximos meses.

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