Binance sofre ataque cibernético com impacto estimado em US$ 6,3 bilhões

Plataforma afirma ter congelado cerca de US$ 3 bilhões em ativos para impedir perdas maiores

Por Viviane Setragni,

A Binance, maior plataforma de negociação de criptomoedas do mundo em volume diário de operações, informou ter sido alvo de um ataque cibernético que afetou fundos avaliados em aproximadamente US$ 6,3 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 33 bilhões. Segundo a empresa, cerca de US$ 3 bilhões foram congelados para impedir que os recursos fossem transferidos pelos invasores.

Foto: JUSTIN SULLIVAN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFPOk

Em publicações na rede social X, a companhia afirmou que os fundos dos usuários estavam seguros e que assumiria eventuais prejuízos. Em seguida, a empresa detalhou que o impacto total estimado chegava a US$ 6,3 bilhões e que trabalhava com parceiros da rede blockchain para bloquear os ativos envolvidos.

A Binance informou que mais de US$ 2,5 bilhões foram congelados como parte das medidas de contenção. Posteriormente, a companhia afirmou que o montante bloqueado na própria blockchain já estava próximo de US$ 3 bilhões.

O valor estimado supera em mais de quatro vezes o prejuízo registrado no ataque à plataforma Bybit, em fevereiro do ano passado, quando foram subtraídos cerca de US$ 1,5 bilhão. Até então, aquele episódio era considerado o maior roubo cibernético envolvendo uma plataforma de criptomoedas.

A empresa de pesquisa em blockchain TRM Labs atribuiu o ataque, com alto grau de confiança, ao grupo TraderTraitor, apontado como ligado à Coreia do Norte. A companhia citou informações obtidas dentro e fora da blockchain e semelhanças entre o episódio e outros roubos associados a hackers norte-coreanos.

Analistas suspeitam que o TraderTraitor faça parte do Grupo Lazarus, conhecido por ataques cibernéticos atribuídos à Coreia do Norte. O grupo ganhou notoriedade internacional em 2014, quando foi acusado de invadir os sistemas da Sony Pictures em meio à repercussão do filme “A Entrevista”, que satirizava o líder norte-coreano Kim Jong-un.

Uma análise inicial da Binance indicou que a invasão pode ter começado por meio de um computador portátil comprometido, pertencente a um dos engenheiros da empresa. A partir desse equipamento, um invasor teria conseguido acessar um dos sistemas da plataforma e realizar saques sem autorização. A hipótese ainda faz parte das apurações sobre o incidente.

Outras empresas do setor também adotaram medidas para bloquear ativos relacionados ao caso. Paolo Ardoino, diretor da Tether, responsável pela emissão da stablecoin USDT, afirmou que a companhia congelou quase US$ 1,6 bilhão associado a um possível ataque contra a Binance.

Já Jeremy Allaire, presidente da Circle, informou que a empresa bloqueou mais de US$ 800 milhões em USDC, outra moeda digital de valor atrelado ao dólar.

A notícia do ataque provocou instabilidade no mercado de criptomoedas. Antes da confirmação da Binance, analistas já apontavam indícios de que invasores poderiam ter conseguido acessar a plataforma. Após a divulgação, os preços de diversas moedas digitais recuaram, enquanto as stablecoins tiveram oscilações mais limitadas.

Na sexta-feira (30), o bitcoin e o Ethereum registravam queda de 0,8%, após perdas que chegaram a quase 5% e 6%, respectivamente. O BNB, criptomoeda própria da Binance, avançava 2,7%, depois de ter recuado 10%.

Fonte: CBN

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