Moraes nega conversas com Vorcaro e contesta relatório da Polícia Federal
Ministro do STF questiona autenticidade de mensagens atribuídas a ele e afirma ser alvo de vingança política
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ter mantido conversas com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e contestou informações atribuídas a um relatório da Polícia Federal (PF). Em manifestações divulgadas à imprensa, o magistrado afirmou que não existem diálogos comprovados entre os dois e classificou as acusações como uma tentativa de vingança política.
O ministro amargou a divulgação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro, apreendido pela PF em novembro de 2025. Segundo reportagem publicada pelo UOL nesta sexta-feira (6), o aparelho registra 316 interações relacionadas ao contato do ministro nos dois meses anteriores à prisão do banqueiro.
- Participe do nosso grupo de WhatsApp
- Participe do nosso grupo de Telegram
- Confira os jogos e classificação dos principais campeonatos
O levantamento identificou 187 mensagens enviadas por Vorcaro e outros 129 registros, que incluem mensagens recebidas e notificações do aplicativo. Parte do conteúdo foi recuperada a partir de bancos de dados secundários do WhatsApp.
Moraes contesta a validade desse material e sustenta que não há comprovação de que as anotações atribuídas a Vorcaro correspondam a conversas efetivamente realizadas com ele.
Ministro questiona autenticidade das mensagens
Em sua defesa, Moraes argumentou que o relatório da Polícia Federal apresenta registros produzidos pelo próprio banqueiro, sem demonstrar a existência de respostas do magistrado.
O ministro também questionou a cadeia de custódia do celular, procedimento destinado a documentar a coleta, o armazenamento e o tratamento de provas durante uma investigação.
Segundo Moraes, as informações divulgadas não demonstram a existência dos diálogos descritos pelos investigadores. Ele atribuiu as acusações a uma reação contra sua atuação nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado.
A defesa de Vorcaro também levantou dúvidas sobre a integridade dos dados extraídos do aparelho.
Mensagens indicam pedidos de ajuda antes da prisão
De acordo com informações divulgadas pela imprensa a partir da investigação, Vorcaro teria procurado o ministro para tratar do avanço das apurações sobre o Banco Master.
Em registros de outubro e novembro de 2025, o banqueiro demonstrava preocupação com possíveis medidas da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do Banco Central.
As mensagens atribuídas a Vorcaro incluem referências ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em uma delas, o empresário questiona a possibilidade de reverter medidas que poderiam atingir o banco.
O conteúdo divulgado também aponta tentativas de organizar encontros com Moraes nos dias anteriores à prisão do banqueiro.
A existência de mensagens atribuídas a Vorcaro, entretanto, não comprova, isoladamente, que o ministro tenha atendido aos pedidos ou interferido em investigações.
Relação com Banco Master está sob questionamento
As suspeitas sobre a relação entre o magistrado e o empresário ganharam repercussão também em razão de um contrato de serviços jurídicos firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O contrato, estimado em quase R$ 130 milhões, tornou-se um dos pontos de questionamento sobre possíveis conflitos de interesse.
Até o momento, as informações divulgadas não estabelecem uma conclusão definitiva sobre eventual participação de Moraes em atos para favorecer Vorcaro.
Fonte: Com informações do Uol