Mapeamento aponta restauração ainda incipiente na Caatinga

Com mil hectares em recuperação, bioma enfrenta desertificação que já ameaça 57% do território

Por Redação Portal AZ,

Novo levantamento do Observatório da Restauração (OR), mantido pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, indica que mil hectares da Caatinga estão em processo de recuperação. O número, divulgado em dezembro, é considerado modesto diante do avanço da desertificação, que já atinge 57% do bioma.

Foto: ReproduçãoMapeamento aponta restauração ainda incipiente na Caatinga
Mapeamento aponta restauração ainda incipiente na Caatinga

Exclusivamente brasileira, a Caatinga é marcada pelo clima seco, vegetação adaptada à escassez hídrica e solos rasos. Apesar da resistência natural, o bioma sofre há décadas com processos de degradação que comprometem a biodiversidade, a segurança hídrica e os meios de subsistência das populações locais.

Segundo o Observatório da Restauração, plataforma independente dedicada ao mapeamento de áreas em recuperação nos seis biomas do país, a Caatinga concentra atualmente mil hectares restaurados — o equivalente a 0,06% da área total monitorada. O levantamento utiliza metodologia própria, baseada em dados autodeclaratórios de organizações e empresas que realizam ações com algum nível de manejo ou intervenção planejada.

Para Pedro Sena, conselheiro executivo da Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa), ampliar a escala dos projetos é estratégico para frear a desertificação. “Hoje, 57% da Caatinga já enfrenta risco de desertificação. A restauração aqui é também biocultural, porque dialoga com espécies e práticas que fazem parte da vida das comunidades”, afirma.

No panorama nacional, a Mata Atlântica lidera as áreas em restauração mapeadas pelo OR, com 131,2 mil hectares (64% do total). A Amazônia aparece com 39,7 mil hectares (19%) e o Cerrado com 31,7 mil hectares (15%). Pantanal e Pampa somam, respectivamente, 280 e 260 hectares.

Os dados do OR diferem dos números apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que informou durante a COP 30 que o Brasil possui 3,4 milhões de hectares em restauração, considerando também áreas de regeneração natural espontânea. O Observatório, por sua vez, contabiliza apenas áreas com intervenção planejada.

O Brasil assumiu no Acordo de Paris a meta de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, compromisso reafirmado em 2024 no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). A atividade é apontada como vetor de desenvolvimento sustentável e pode gerar mais de 2,5 milhões de empregos diretos.

Criado em 2021, o Observatório da Restauração reúne coletivos biomáticos nos seis biomas e tem comitê gestor formado por Coalizão Brasil, WWF, WRI Brasil, Imazon, Conservação Internacional e The Nature Conservancy. Em sua terceira edição, a plataforma retirou o termo “reflorestamento” de sua nomenclatura, reforçando o foco exclusivo na recuperação de vegetação nativa e na integridade dos ecossistemas.

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura reúne mais de 400 organizações dos setores empresarial, financeiro, acadêmico e da sociedade civil, com atuação em políticas públicas e iniciativas voltadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento socioeconômico.

Entrevistas:
Danielle Feltrin | (11) 97375-8739 | [email protected]
Renato Grandelle | (21) 99734-3956 | [email protected]

Fonte: Coalizão Brasil Clima

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