Brasileira lidera criação de regras para mineração em águas profundas

Letícia Carvalho comanda debates globais sobre exploração sustentável

Por Dominic Ferreira,

A oceanógrafa brasileira Letícia Carvalho está à frente da construção do Código de Mineração da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, órgão ligado à Organização das Nações Unidas responsável pela gestão de recursos minerais em áreas oceânicas fora das jurisdições nacionais. Com sede em Kingston, a entidade reúne 171 países e a União Europeia em discussões voltadas à regulamentação da exploração mineral em águas profundas, abrangendo uma área equivalente a 54% dos oceanos do planeta.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasilok

Segundo Letícia Carvalho, que assumiu o comando da ISA em 2025, o documento vem sendo discutido há mais de dez anos e está em fase decisiva de conclusão. O objetivo é estabelecer regras internacionais que permitam a exploração comercial de minerais no fundo do mar sem comprometer ecossistemas sensíveis. A próxima etapa das negociações ocorrerá entre junho e julho, durante a 31ª Sessão da autoridade internacional, quando os países membros tentarão avançar no consenso sobre o texto final.

A secretária-geral destacou que o código será essencial para garantir governança e fiscalização das atividades mineradoras em regiões oceânicas profundas, onde estão localizados recursos considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia e indústria. Ela ressaltou ainda que a regulamentação prevê exigências ambientais rigorosas, incluindo medidas de prevenção de impactos irreversíveis e ações de monitoramento contínuo das áreas exploradas. Entre os minerais de interesse estão elementos críticos utilizados em processos de transição energética e produção tecnológica.

A ISA também desenvolve projetos científicos voltados à preservação ambiental. Um dos destaques é a criação de um biobanco internacional em parceria com a Coreia do Sul, destinado à conservação de amostras biológicas e sedimentares coletadas em áreas oceânicas profundas. Letícia Carvalho também ressaltou a importância simbólica de ser a primeira mulher, cientista e latino-americana a ocupar o cargo máximo da governança oceânica internacional, defendendo maior participação feminina em áreas ligadas à ciência, diplomacia e gestão dos oceanos.

Fonte: Agência Brasil

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