Unicef aponta 333 cidades onde crianças enfrentam maior risco ambiental

Painel identifica vulnerabilidades climáticas, urbanas e de infraestrutura em municípios brasileiros.

Por Redação Portal AZ,

Um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) identificou 333 municípios brasileiros com alta vulnerabilidade socioambiental e climática para crianças e adolescentes. O estudo mostra que fatores como poluição do ar, eventos climáticos extremos e deficiência em infraestrutura básica ampliam os riscos à população infantojuvenil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Foto: Tony Winston/Agência BrasíliaEstudo do Unicef aponta concentração de municípios vulneráveis nas regiões Norte e Nordeste.
Estudo do Unicef aponta concentração de municípios vulneráveis nas regiões Norte e Nordeste.

Os dados fazem parte do Painel Crianças e Meio Ambiente, lançado nesta semana pelo Unicef em parceria com a organização internacional Vital Strategies. A plataforma reúne informações de 5.571 municípios brasileiros e analisa 14 indicadores ambientais com base em dados coletados entre 2021 e 2025.

A avaliação considera quatro eixos principais: qualidade do ar, infraestrutura ambiental e urbana, eventos climáticos extremos e condições do ambiente escolar. A partir desses critérios, os municípios são classificados em três níveis de prioridade para orientar políticas públicas.

Segundo o levantamento, 333 cidades receberam a classificação máxima de atenção por apresentarem alta prioridade em mais de dez dos 14 indicadores analisados. Esse grupo representa cerca de 6% dos municípios brasileiros e concentra, principalmente, cidades da Região Norte e do Maranhão.

Na outra ponta, apenas 108 municípios não registraram alta prioridade em nenhum dos indicadores avaliados.

Entre os fatores considerados pelo painel estão a ocorrência de secas, ondas de calor e chuvas intensas, além da falta de acesso à água tratada e à coleta de esgoto, níveis elevados de poluição do ar e ausência de áreas verdes nas escolas.

De acordo com o especialista em mudanças climáticas do Unicef, Danilo Moura, crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis diante de eventos extremos, por dependerem dos adultos para reconhecer riscos e tomar medidas de proteção.

O estudo também aponta diferenças regionais. Na análise da qualidade do ar, 94% dos municípios da Região Norte aparecem em situação de maior prioridade, cenário associado principalmente às queimadas. Já no Sudeste, embora a proporção de cidades críticas seja menor, elas concentram a maior parte da população infantil da região, com a poluição ligada, sobretudo, ao trânsito e às atividades industriais.

Em relação aos eventos climáticos extremos, Norte e Sul concentram os maiores percentuais de municípios prioritários, especialmente por causa das chuvas intensas. Nos indicadores de infraestrutura ambiental e urbana, os maiores desafios estão no Norte e no Nordeste, onde problemas como saneamento básico insuficiente, escassez hídrica e limitações financeiras dificultam investimentos públicos.

O painel também chama atenção para o ambiente escolar. Nordeste e Sudeste lideram o número de municípios onde escolas não possuem áreas verdes, condição considerada relevante para a qualidade de vida e o bem-estar de crianças e adolescentes.

Além do diagnóstico, a plataforma disponibiliza recomendações para gestores públicos, com medidas voltadas à prevenção e à redução dos impactos ambientais sobre a infância, permitindo que municípios identifiquem prioridades e direcionem ações de acordo com a realidade local.

Fonte: Com informações da Agência Brasil

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