Depois de desastre ambiental, deputada pede embargo da segunda fase da obra de parque solar

Parlamentar criticou a empresa pela suposta negligência em relação aos impactos causados

Por Marcelo Gomes,

A deputada estadual Teresa Britto (PV) defendeu nesta segunda-feira (09), durante pronunciamento na Assembleia Legislativa, o embargo da segunda fase da obra do parque solar, da empresa Enel Green Power, depois do rompimento de bacias de contenção do entorno do Parque Solar de São Gonçalo do Gurgueia, região Sul do estado. 

Deputada pede embargo da segunda fase da obra de parque solar (Foto: divulgação)

A parlamentar criticou a empresa pela suposta negligência em relação aos impactos causados na região e cobrou do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR), uma multa à empresa.

“É lamentável a inércia da empresa em tomar as providências necessárias, principalmente em apoio às famílias afetadas, assim como ao descaso do Estado em multar e fiscalizar as ações da empresa. Queremos o embargo da segunda fase da obra e vamos acompanhar de perto essa situação”, afirmou.

Empresa de energia solar da Itália causa grandes danos ambientais no Piauí ( Tânia Martins/PortalAZ )

Os desastres causaram, segundo moradores da região, prejuízos ambientais como assoreamento do Rio Gurgueia, destruição de pontes, estradas, devastação de plantações e morte de animais. Segundo dados divulgados pela empresa, 21 famílias foram prejudicadas com o rompimento das bacias de contenção, em especial, nas localidades Buritizinho e Macacos.

Teresa Britto requereu, ainda, a realização de uma audiência pública em São Gonçalo do Gurgueia para avaliar a situação do desastre e ouvir as partes envolvidas para propor medidas emergenciais.

Entenda o caso 

Pela terceira vez em um ano, a bacia de contenção do Parque Solar São Gonçalo, na região do município de São Gonçalo do Gurguéia (798 km de Teresina), da multinacional Green Power, rompeu provocando muita destruição no caminho das águas. 

O último desastre ocorreu dia 29 de fevereiro aterrando nascentes, riachos, brejos, além de derrubar uma ponte, assorear estradas, plantações e vegetação nativa, atingindo o Rio Gurguéia, sustentáculo da população do município, um dos mais pobres do Piauí.

Rompimento das Bacias de Contenção da Enel causou impactos irreparáveis no interior ( Tânia Martins/PortalAZ )

Os atingidos acusam a Enel, Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Piauí (SEMAR), assim como Ministério Público de negligenciarem desde o primeiro rompimento em fevereiro de 2019. 
Segundo eles, nenhuma medida foi tomada para solucionar o problema, o que levou ao terceiro rompimento. O secretário de Meio Ambiente de São Gonçalo, Edilberto Gonçalves, confirma que encaminhou ofícios aos órgãos de controle e a empresa, mas nada aconteceu.

O que diz a Semar

A secretária de Meio Ambiente do Estado do Piauí, Sádia Castro, informou que tão logo tomou conhecimento do desastre enviou para o local uma equipe de fiscais, auditores e engenheiros para avaliar os impactos. “Temos todo interesse em apurar o que aconteceu até porque existe um plano de contingenciamento da Enel que era para ter sido cumprido, mas, somente após o relatório da equipe em campo é que teremos conhecimento sobre o que ocorreu”. 

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