São Raimundo Nonato entra em colapso com crise de falta d'água

Em campanha, prefeita não conseguiu amenizar drama histórico

Por André Pessoa (Eleições 2020),

Desde a semana passada que o abastecimento d’água no município de São Raimundo Nonato (525 km de Teresina), entrou em colapso levando caos e desespero aos moradores das zonas urbana e rural em função da seca. Para amenizar o drama, ontem choveu alguns milímetros em alguns bairros e povoados.

São Raimundo Nonato entra em colapso com crise de falta d'água (Foto:André Pessoa)

A falta d’água em São Raimundo Nonato e microrregião é um problema secular que nunca teve o verdadeiro interesse dos políticos e governantes do Piauí. É como se em pleno século 21 a indústria da seca ainda fosse viável eleitoralmente. Não é. 

A população hoje está muito mais consciente e, ao invés de pedir um carro-pipa de forma emergencial, os moradores da região querem a resolução definitiva desse problema. 

São Raimundo Nonato depende exclusivamente de duas fontes d’água para abastecimento local. Uma, a de melhor qualidade da água, são os poços profundos em união com a adutora da Serra Branca. Construída na década de 1980 pelo ex-governador Hugo Napoleão e pelo ex-prefeito Gaspar Dias Ferreira. 

Em campanha pela reeleição, prefeita Carmelita Castro não conseguiu amenizar drama histórico (Foto:André Pessoa)

A estrutura é formada por 4 poços profundos (média de 800 metros de profundidade), e uma adutora com 32km. Desses, apenas 3 poços estão operacionais. Apesar dos seus mais de 40 anos, ela ainda é usada e eleita pela população como a “salvação” da região. 

A segunda estrutura de abastecimento d’água em São Raimundo Nonato usa a água acumulada no açude Petrônio Portela, mais conhecido como barragem da Onça, para transportar água para vários municípios através da Adutora do Garrincho. Além da água ser de péssima qualidade, a adutora vive apresentando falhas e problemas em sua tubulação. 

O caos ocasionado nos últimos dias no abastecimento da região foi em função de problemas nessa rede que além de São Raimundo Nonato fornece água para vários outros municípios e povoados da microrregião.

Reeleição 

Mesmo com toda a estrutura governamental apoiando a sua gestão, a prefeita de São Raimundo Nonato, Carmelita de Castro Silva, filiado ao Progressistas e representante da oligarquia dos Castro, não conseguiu resolver o drama da falta d’água na região. 

Carmelita conta na sua gestão com o apoio do governador Wellington Dias (PT), da sua irmã, deputada federal Margarete Coelho (que ocupava o cargo de vice-governadora), do seu marido, atualmente secretário estadual dos Transportes, além dos senadores Marcelo Castro (MDB), mas principalmente do líder do centrão e réu no STF, Ciro Nogueira (PP).

Além desses nomes influentes, Carmelita Castro tem a irmã Sádia Castro à frente da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Piauí, e outra irmã, Nailer Castro secretária municipal de Administração em São Raimundo Nonato, essa acusada de receber pagamento sem trabalhar no Palácio de Karnak. 

Toda essa força política foi insuficiente para amenizar o drama da falta d’água em São Raimundo Nonato. Pior. Antes das eleições de 2018, constrangido com o problema, o senador Ciro Nogueira “inventou” um projeto mirabolante: a adutora de engate rápido da Serra Branca.

Com R$ 16 milhões liberados pela Codevasf a ideia seria ampliar o transporte da água da bateria dos poços profundos da Serra Branca para a zona urbana de São Raimundo Nonato. Não deu nada certo. 

Durante as obras a população já começou a perceber os problemas. Os canos foram instalados muito próximos da rodovia PI-140 ocasionando uma série de acidentes. Tiveram que mudar a rota durante as obras, o que causou outra série de problemas.

Hoje, quase três anos após a sua conclusão a obra não funciona adequadamente. Ao contrário, piorou o drama em algumas comunidades. Como não foi perfurado nenhum novo poço, mas apenas e simplesmente a construção de uma rede de canos de “engate rápido”, o problema da falta d’água permaneceu e até piorou em alguns lugares, caso da própria Serra Branca.

Como não perfuraram novos poços, a quantidade de água é a mesma de antes do projeto. Mas, para piorar o que já estava ruim, trocaram o envio da água para São Raimundo Nonato dos canos velhos (adutora da Serra Branca), para os canos novos da adutora de engate rápido.

Resultado: os moradores da Serra Branca, Serra Vermelha e Novo Zabelê, para citar apenas os maiores, deixaram de receber água pois os canos da nova adutora não permitem ligações entre a captação e a chegada na cidade. 

Revolta

Nos últimos dias os moradores de São Raimundo Nonato começaram a se rebelar e criticar duramente o governo municipal pela inoperância em cuidar da população.

Reclamam e protestam muito da questão do abastecimento d’água. Mesmo aquelas comunidades mais pacatas realizaram manifestações pedindo água. 

Para a prefeita Carmelita Castro que tenta a reeleição a situação ficou muito complicada. Nos grupos e redes sociais a revolta da população é muito grande e deve ter consequências políticas.

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