No sertão semiárido, oposição lança série de charges representando governo municipal
Prefeita Carmelita Castro, de São Raimundo Nonato, tenta a reeleição, mas vive dias tensos na campanha
O município de São Raimundo Nonato (525 km de Teresina), sempre se destacou no cenário político piauiense como uma terra de acirradas disputas eleitorais. 2020 não poderia ser diferente e vem mostrando isso no dia a dia da campanha. A atual prefeita Carmelita Castro (Progressistas), tenta a reeleição, mas o seu adversário, o ex-prefeito Avelar Ferreira (PSD), um político experiente, com 3 mandatos, parece liderar a disputa.
- Participe do nosso grupo de WhatsApp
- Participe do nosso grupo de Telegram
- Confira os jogos e classificação dos principais campeonatos
Carmelita Castro (Foto: reprodução/Portal Mandacaru)
Parece. Nada mais do que isto. Até agora nenhum dos dois candidatos divulgaram pesquisas eleitorais e, tomando como base os movimentos políticos antes da paralisação das campanhas em função do avanço da Covid-19, Avelar se destacava claramente na quantidade de correligionários em seus eventos públicos.
Máquina estatal
No cargo e tentando o seu segundo mandato como prefeita de São Raimundo Nonato, Carmelita Castro, 52 anos, representante mais jovem da oligarquia dos Castro, dispõe supostamente da estrutura do Poder Público Municipal (máquina administrativa, cargos de confiança, funcionários e terceirizados, prestadores de serviços, entre outros), teoricamente a seu favor. Do outro lado, Avelar Ferreira, 59 anos, segue praticamente sem apoio de grandes lideranças políticas, mas numa campanha que ameaça os sonhos da situação pela participação popular.
Uma explicação para esse fato parece levar aos mandatos passados do candidato da oposição, muito ligado as causas populares e segmentos mais carentes da sociedade local. Carmelita foca a sua campanha na classe média e numa espécie de “elite” local, tendo como protagonista da sua gestão a participação do seu cônjuge, deputado estadual Hélio Isaías que ocupa o cargo de secretário estadual dos Transportes, mas segundo as más línguas, é quem gerencia o município politicamente.
Bom humor
Para compensar essa diferença estrutural entre as duas campanhas e como uma forma de inovação na abordagem política, a equipe de Avelar Ferreira decidiu partir para o bom humor. Uma série de charges coloridas e bem humoradas tratam as questões locais. Claro, sempre na perspectiva da oposição.
No sertão semiárido, oposição lança série de charges representando governo municipal (Foto: divulgação)
Planejada com o conceito do desespero, uma das charges divulgadas mostra um castelo desmoronando que reflete o desespero de um grupo político que deseja permanecer no poder, numa suposta alusão aos correligionários da atual gestão. Decorando o castelo em ruínas aparecem bandeiras com temas como fake news, inimiga do povo, cargos comissionados, mentiras, culminando numa personagem em desespero, chorando e quebrando uma mesa de vidro onde estava a sua chupeta.
Numa segunda arte eles tentam apresentar uma alusão à justiça divina, com o conceito de que ela tarda mais não falha, e a vitória do povo sufragando dois representantes populares, nesse caso, os nomes de Avelar e capitão Ivanaldo, representantes da oposição. Tudo na esfera do humor.
(Foto: divulgação)
As charges fazem parte de estratégias políticas numa campanha que parece extremamente acirrada. Um dos destaques, certamente, é o grande número de fake news que circulam nas redes sociais, com protagonismo de ambos os lados da disputa.
Como já era esperado, fica quase impossível para Justiça Eleitoral controlar os crimes cibernéticos. Dia após dia mentiras, fofocas, desrespeito e temas, além de imagens e fatos degradantes afogam os grupos de WhatsApp onde poderia prevalecer o debate de ideias. Ganharia a sociedade.
Pesquisa
Estranhamente nenhum dos dois principais candidatos a prefeito em São Raimundo Nonato divulgaram pesquisas eleitorais. A única explicação plausível para esse fato é a existência de uma espécie de empate técnico entre ambos, o que “impediria” teoricamente a sua divulgação, pois ninguém deseja associar a sua imagem a uma disputa incerta.
Pesquisas servem para mostrar um retrato de determinado momento da campanha. Trazem margem de erro e índice de significância diferentes dependendo do percentual da amostra e da metodologia empregada na coleta dos dados.
Nessa fase de campanha política os candidatos e seus partidos precisam registrar as pesquisas para que elas possam ser divulgadas oficialmente. Ainda assim, podem mostrar números tendenciosos, direcionados ao bel prazer dos seus contratantes. A pesquisa final e real será nas urnas no próximo dia 15 de novembro.