Investigações ligam ONG de Tatiana Medeiros a esquema de compra de votos

MPPI e PF apontam uso da fundação para cooptação de eleitores e possível ligação com facções

Por Carlos Sousa,

O promotor Márcio Normando, do Ministério Público do Piauí (MPPI), afirmou que as investigações da Polícia Federal indicam que o Instituto Vamos Juntos, mantido pela vereadora Tatiana Medeiros, adotava um esquema semelhante ao utilizado por organizações criminosas em outros estados, especialmente no Maranhão, para cooptação de eleitores. Segundo o MP, a prática envolveria o uso de fundações sociais para distribuição de recursos em troca de votos.
 

Foto: ReproduçãoInstituto Vamos Juntos
Instituto Vamos Juntos

A ONG foi alvo da Operação Escudo Eleitoral, deflagrada em dezembro de 2024. Durante as buscas na instituição e em outro endereço, os agentes apreenderam R$ 100 mil em espécie. No curso do julgamento da parlamentar, algumas testemunhas relataram ter recebido dinheiro da entidade em troca do voto, enquanto outras negaram a prática e disseram atuar voluntariamente.

De acordo com o promotor, os recursos que circulavam no instituto teriam origem em atividades criminosas, o que motivou o aprofundamento das investigações sobre Tatiana Medeiros e seu namorado, Alandilson Cardoso. Ele afirmou que a PF encontrou indícios da participação de ambos no esquema, o que levou ao pedido de quebras de sigilo e ordens de busca cumpridas na operação.

A interligação entre apurações da Polícia Civil e da Polícia Federal também gerou questionamentos da defesa da vereadora, que contesta a legalidade de parte das provas. O ponto central é um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do COAF, cuja obtenção, segundo a defesa, teria ocorrido sem autorização judicial. O tema divide entendimento entre as cortes superiores: enquanto o STJ exige decisão judicial, o STF considera que o compartilhamento é permitido.

Normando informou que o Ministério Público recorreu da decisão que anulou parte das provas em um dos processos. Até que o recurso seja julgado, os elementos permanecem válidos. Ele declarou confiança na jurisprudência do STF e acredita que o julgamento da vereadora continuará conforme o previsto.

Fonte: MP-PI/TJ-PI

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