Operação Poço de Lobato apreende R$ 2 mi e esmeraldas em ação contra Refit

Força-tarefa cumpriu mandados em cinco estados e investiga esquema bilionário de sonegação e lavagem de dinheiro ligado ao Grupo Refit.

Por Carlos Sousa,

A operação Poço de Lobato, deflagrada na manhã desta quinta-feira (27) por uma força-tarefa composta por promotores, auditores fiscais e policiais, apreendeu mais de R$ 2 milhões em espécie em dois endereços da capital paulista. A ação também encontrou oito sacos com esmeraldas avaliadas em cerca de R$ 11 mil cada em uma empresa de Campinas, no interior de São Paulo, além de um laudo que confirma se tratar de material bruto.

Foto: Divulgação/Receita FederalEsmeraldas apreendidas em operação Poço de Lobato
Esmeraldas apreendidas em operação Poço de Lobato

Os mandados integram uma investigação sobre um amplo esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro atribuído ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, sediada no Rio de Janeiro. De acordo com a Receita Federal, o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano, utilizando empresas próprias, fundos de investimento e offshores em paraísos fiscais para ocultar lucros e blindar patrimônio.

As buscas ocorreram no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. O grupo, comandado pelo empresário Ricardo Magro, é apontado como o maior devedor de ICMS de São Paulo, o segundo maior do Rio e um dos maiores do país. Até a última atualização, a defesa não havia se manifestado.

Foto: Reprodução/Receita FederalDinheiro apreendido em escritório na Alameda Santos, durante megaoperação contra o Grupo Refit
Dinheiro apreendido em escritório na Alameda Santos, durante megaoperação contra o Grupo Refit

Segundo os investigadores, o esquema funcionava a partir da subdeclaração de combustíveis importados, registrados como derivados de petróleo de menor tributação. Entre 2020 e 2025, mais de R$ 32 bilhões em combustíveis foram importados pelo grupo. A fraude se estendia por toda a cadeia de comercialização, envolvendo importadoras, formuladoras, distribuidoras e postos de combustíveis.

A atuação da Refit está no centro de outras operações. Na Cadeia de Carbono, quatro navios com 180 milhões de litros de combustível foram retidos, e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) interditou a refinaria por suspeitas de irregularidades, como ausência de comprovação do processo de refino e uso de aditivos químicos não autorizados. Após breve reabertura por decisão da Justiça do Rio, o Superior Tribunal de Justiça determinou nova interdição em 29 de outubro.

A Receita identificou inicialmente 17 fundos de investimento ligados ao grupo, somando patrimônio líquido de R$ 8 bilhões. Posteriormente, verificou-se a existência de aproximadamente 50 fundos, muitos deles em paraísos fiscais, inclusive no estado americano de Delaware. As estruturas eram usadas para ocultar beneficiários finais, com trocas constantes de sócios e empresas.

As investigações seguem sob sigilo, e os nomes de empresas envolvidas não foram divulgados. Segundo o promotor Alexandre Castilho, não há indícios da participação de facções criminosas no esquema.

Fonte: G1

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