Câmara aprova tornozeleira obrigatória para agressores de mulheres
Projeto amplia medidas protetivas em casos de alto risco e prevê alerta automático à vítima; proposta ainda será analisada pelo Senado.
A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou um projeto de lei que permite à Justiça determinar o uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressores de mulheres em casos de alto risco de violência doméstica. A proposta busca reforçar a proteção às vítimas e agora segue para análise do Senado Federal do Brasil.
O texto estabelece que o monitoramento eletrônico poderá ser aplicado quando houver risco atual ou iminente à integridade física ou psicológica da mulher ou de seus dependentes. A medida reforça mecanismos previstos na Lei Maria da Penha, ampliando a eficácia das medidas protetivas de urgência.
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Atualmente, apenas uma pequena parcela dessas medidas conta com monitoramento eletrônico. A avaliação de parlamentares favoráveis ao projeto é que a adoção mais ampla da tornozeleira pode ajudar a reduzir a reincidência de agressões e prevenir casos de feminicídio.
Pela proposta, a imposição do dispositivo se torna regra quando o risco à vítima for considerado elevado ou quando houver descumprimento de medidas protetivas anteriores. Caso um juiz decida suspender o uso da tornozeleira, a decisão deverá ser justificada formalmente.
O projeto também prevê que a vítima receba um dispositivo portátil de rastreamento. Esse equipamento emitirá alertas automáticos caso o agressor ultrapasse a distância mínima determinada pela Justiça, informando simultaneamente a mulher e as autoridades policiais.
Outro ponto do texto é o aumento da pena para quem descumprir medidas protetivas relacionadas à aproximação da vítima ou à violação do equipamento de monitoramento eletrônico. A punição poderá ser ampliada quando houver retirada ou dano à tornozeleira sem autorização judicial.
A proposta ainda determina o aumento do percentual de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública destinados ao enfrentamento da violência contra a mulher. Parte desse dinheiro deverá financiar a compra e manutenção das tornozeleiras e dos dispositivos de alerta para as vítimas.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, crescimento em relação ao ano anterior. O levantamento também aponta que parte desses crimes ocorreu mesmo com medidas protetivas em vigor.
Com a aprovação na Câmara, o projeto será analisado pelos senadores. Se o texto passar sem alterações, seguirá para sanção presidencial.
Fonte: Com informações da Agência Brasil