Visitas a Bolsonaro em prisão domiciliar mantêm articulações políticas do PL
Levantamento mostra encontros com aliados, familiares e advogados na residência oficial
A rotina de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período de prisão domiciliar tem evidenciado a continuidade das articulações políticas do Partido Liberal (PL) para as eleições de 2026. Um levantamento anexado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ao processo aponta que Bolsonaro recebeu 185 visitas desde o início do cumprimento da medida, em 27 de março, em Brasília. Entre os visitantes estão familiares, advogados, profissionais de saúde e aliados políticos, demonstrando que a residência do ex-presidente permanece como ponto de encontros ligados ao cenário eleitoral.
Os registros mostram que os filhos de Bolsonaro estão entre os visitantes mais frequentes. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como o principal nome do grupo para disputar a Presidência da República, compareceu diversas vezes à residência, tanto na condição de filho quanto como integrante da equipe de defesa. Também realizaram visitas Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, e Jair Renan Bolsonaro, que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A movimentação reforça o papel da família na condução das estratégias políticas do grupo durante o período eleitoral.
- Participe do nosso grupo de WhatsApp
- Participe do nosso grupo de Telegram
- Confira os jogos e classificação dos principais campeonatos
Além dos familiares, a lista inclui advogados, médicos, fisioterapeutas e prestadores de serviço autorizados pela Justiça. O detalhamento das visitas foi utilizado por Alexandre de Moraes para fundamentar uma decisão que suspendeu, por 30 dias, novas visitas ao ex-presidente, dentro das medidas impostas no processo. Mesmo com as restrições, aliados avaliam que Bolsonaro continua exercendo influência sobre as decisões do campo conservador, ainda que a comunicação presencial esteja limitada pelas determinações judiciais.
O cenário ocorre em meio ao início das convenções partidárias e da organização das chapas para as eleições gerais de 2026. Embora esteja impedido de participar ativamente de agendas públicas, Bolsonaro segue sendo considerado uma das principais lideranças do PL e mantém influência sobre as definições eleitorais da legenda. A movimentação registrada na residência do ex-presidente evidencia que, mesmo sob prisão domiciliar, as discussões sobre candidaturas e estratégias políticas continuam ocupando espaço na preparação da oposição para o pleito deste ano.
Fonte: Correio Braziliense