Cidades que alternam entre diferentes campos políticos podem decidir a eleição

Municípios que alternaram entre PT e direita podem ser decisivos em uma disputa acirrada

Por Redação Portal AZ,

As cidades que alternam entre candidatos de campos políticos opostos podem ter papel decisivo na eleição presidencial de 2026. Um estudo do instituto ReDem, ligado à Universidade Federal do Paraná (UFPR), identificou pouco mais de mil municípios que, desde 2002, mudaram ao menos duas vezes de lado nas disputas de segundo turno entre o PT e a direita.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência BrasilUrna eletrônica será submetida a testes antes das eleições de outubro.
Municípios que alternam entre campos políticos podem ter peso decisivo em 2026.

Esse conjunto reúne cerca de 34 milhões de eleitores, aproximadamente 20% do eleitorado brasileiro. O volume supera o número de votantes que vivem em municípios onde o PT venceu todos os segundos turnos desde 2002 e corresponde a cerca de quatro vezes o contingente de cidades que mantiveram predominância da direita nos confrontos com o partido no período.

O fenômeno é semelhante ao conceito de “swing states” usado nas eleições dos Estados Unidos. São localidades sem alinhamento político permanente, nas quais uma mudança de preferência pode alterar o resultado de uma eleição nacional apertada.

Peso concentrado em cidades maiores

Mais de 70% das cidades classificadas como pêndulo têm menos de 20 mil habitantes. Apesar disso, a maior parte do peso eleitoral está concentrada em aproximadamente 65 municípios de maior porte, que reúnem mais de 75% dos votos desse grupo.

Para o cientista político Fábio Vasconcellos, professor da UFRJ e da PUC-Rio, esse comportamento pode estar associado a um eleitor menos identificado com os polos políticos e mais aberto a mudar de escolha entre uma eleição e outra.

O grupo inclui municípios que, por exemplo, deram maioria a Dilma Rousseff em 2014, migraram para Jair Bolsonaro em 2018 e voltaram a escolher Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.

São Paulo ganha peso

O estado de São Paulo concentra cerca de 40% dos eleitores que vivem nas cidades pêndulo. A capital e municípios da região metropolitana, como São Bernardo do Campo e Osasco, estão entre os principais focos desse eleitorado.

A relevância dessas cidades aparece em uma simulação apresentada por Vasconcellos. Mantidos os resultados obtidos por Lula em 2022 no restante do país, mas considerando uma derrota do petista nas cidades pêndulo paulistas, Jair Bolsonaro teria sido reeleito por uma diferença superior a 400 mil votos.

A região metropolitana de São Paulo concentra 18 cidades classificadas como pêndulo. Em uma eleição com pequena diferença entre os candidatos, o desempenho nessas localidades pode ter impacto significativo sobre o resultado nacional.

Minas pode deixar de ser termômetro

Minas Gerais também aparece como ponto de atenção. Tradicionalmente visto como um estado que reproduz o resultado nacional, o território mineiro vem apresentando uma redução na diferença entre os candidatos ao longo das eleições.

Em 2022, a margem entre o vencedor e o segundo colocado no estado ficou, pela primeira vez, abaixo da média nacional. Para Vasconcellos, o movimento pode indicar uma mudança no comportamento eleitoral mineiro, com algumas regiões apresentando maior inclinação à direita.

A tendência levanta a hipótese de que Minas Gerais possa deixar de funcionar como um “espelho” do país nas próximas eleições.

Perfil do eleitor

O estudo não permite traçar diretamente o perfil individual dos eleitores, já que a unidade de análise são os municípios. Ainda assim, as características médias das cidades com maior peso nesse grupo apontam para população mais envelhecida, PIB per capita intermediário e níveis de renda próximos aos observados em municípios com tendência eleitoral à direita.

Na avaliação de Vasconcellos, o eleitorado dessas localidades se aproxima do perfil dos chamados independentes: pessoas que não se identificam fortemente nem com o lulismo nem com o bolsonarismo e que podem adiar a definição do voto.

Entre as principais preocupações desse eleitorado estão custo de vida, segurança pública e transporte. Para as campanhas, a estratégia tende a exigir atenção maior às demandas específicas de cada região, em vez de apenas reforçar discursos dirigidos às bases políticas já consolidadas.

O desafio, segundo o cientista político, será apresentar respostas para problemas cotidianos que envolvem diferentes níveis de governo, articulando propostas presidenciais com ações de estados e municípios.

Fonte: CNN Brasil

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