Fachin diz que adotará medidas após mensagens de Vorcaro a Moraes

Presidente do STF afirmou que analisará o caso "sem precipitação" e no tempo adequado

Por Viviane Setragni,

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que adotará as “medidas cabíveis e necessárias” após a divulgação de mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes durante o período de crise do Banco Master. Segundo Fachin, as providências serão tomadas “no tempo devido e sem precipitação”.

Foto: Reprodução | STFOk

As mensagens aparecem em um relatório da Polícia Federal (PF) produzido a partir da análise do celular de Vorcaro. De acordo com as investigações, o banqueiro procurou Moraes em novembro de 2025 para pedir ajuda diante do avanço das medidas contra o banco e das investigações conduzidas por autoridades federais.

Durante 13 dias, Vorcaro teria enviado mensagens ao ministro com pedidos de orientação e intervenções para tentar conter o avanço das apurações e evitar a liquidação da instituição financeira. Em diferentes momentos, ele questiona Moraes sobre como deveria agir e pede auxílio para tentar reverter a situação.

Segundo o relatório da PF, Vorcaro escrevia as mensagens em um bloco de notas, fazia uma captura de tela e enviava o conteúdo a Moraes por meio do recurso de visualização única. Como o celular do ministro não foi alvo de quebra de sigilo, não é possível saber o conteúdo das respostas dadas por ele.

Mensagens antes da prisão

Em 17 de novembro de 2025, poucas horas antes de ser preso, Vorcaro enviou uma mensagem a Moraes perguntando se havia alguma novidade. “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, escreveu o banqueiro.

O contexto exato da pergunta não foi esclarecido no relatório. Naquele mesmo dia, Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos durante a Operação Compliance Zero. Segundo a PF, ele se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Dubai e foi detido sob suspeita de tentativa de fuga.

No dia anterior, 16 de novembro, a troca de mensagens foi mais intensa. Vorcaro pediu que Moraes tentasse “sensibilizar” o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, diante da possibilidade de uma operação contra o banco.

Em uma das mensagens, o banqueiro perguntou se haveria possibilidade de adiar a ação por alguns dias. Segundo ele, isso permitiria ao banco ganhar tempo para tentar concluir uma negociação envolvendo ativos do Master com um consórcio formado pela Fictor Holding Financeira e fundos de investimento dos Emirados Árabes Unidos. A operação, porém, não avançou em razão da deflagração da Operação Compliance Zero.

Ainda naquele dia, Vorcaro pediu a avaliação de Moraes sobre a situação do banco e questionou se seria possível conter as medidas que estavam sendo preparadas.

Tentativa de contato com o Banco Central

As mensagens também mostram que Vorcaro buscou ajuda para conseguir uma reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O banqueiro demonstrava preocupação tanto com as investigações da PF quanto com a possibilidade de o Banco Central determinar a liquidação extrajudicial do Master.

Dois dias depois, em 18 de novembro, o Banco Central determinou a liquidação do banco. A medida retirou a instituição do controle de Vorcaro e provocou impactos bilionários sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade responsável por proteger determinados depósitos e investimentos em instituições financeiras em caso de intervenção ou liquidação.

Em uma das mensagens enviadas a Moraes, Vorcaro questionou quem estaria pressionando pela intervenção e pediu ajuda para conseguir apresentar ao presidente do Banco Central uma proposta para tentar solucionar a situação.

Na sequência, o banqueiro afirmou estar “perplexo e indignado” com as informações que recebia e disse que seria necessário encontrar uma maneira de conter o avanço das medidas.

Menções a Gonet e ao juiz do caso

Em 15 de novembro, Vorcaro também questionou Moraes sobre a possibilidade de reverter a situação com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O banqueiro ainda mencionou o juiz federal Ricardo Soares Leite, da Justiça Federal no Distrito Federal.

Naquele momento, o magistrado já havia recebido uma representação do Ministério Público Federal (MPF) com pedido de prisão de Vorcaro. Leite, que atuava como substituto na 10ª Vara Federal do Distrito Federal, foi responsável por autorizar a primeira fase da Operação Compliance Zero e posteriormente assinou a ordem de prisão contra o banqueiro.

Um dia antes, em 14 de novembro, Vorcaro havia enviado a Moraes uma mensagem de agradecimento na qual mencionava a relação de proximidade entre os dois e dizia ter gratidão pelo ministro e pela família dele.

Pedidos de orientação sobre ações judiciais

As mensagens mostram ainda que Vorcaro procurava orientação de Moraes sobre medidas que poderiam ser adotadas na Justiça. Em 7 de novembro, ele perguntou ao ministro sobre uma possível estratégia jurídica relacionada a uma ação e mencionou o advogado criminalista Pierpaolo Bottini, que integrava sua defesa naquele período.

Dois dias antes, em 5 de novembro, o banqueiro afirmou que não pretendia tomar nenhuma iniciativa sem o aval de Moraes. Ele também questionou o ministro sobre informações que estaria recebendo em Brasília e sobre a possibilidade de alguma medida judicial estar sendo preparada.

Em outra mensagem, Vorcaro perguntou se havia sido possível “bloquear” o que chamou de uma situação prejudicial ao banco. Já em 4 de novembro, questionou Moraes sobre a possibilidade de serem determinadas medidas como busca e apreensão ou quebra de sigilo.

No mesmo dia, o banqueiro afirmou que qualquer medida contra ele poderia comprometer as negociações que tentava concluir e classificou essa possibilidade como sua principal preocupação.

Relatórios anteriores relacionados à Operação Compliance Zero apontaram ainda que Vorcaro teria tido acesso indevido a sistemas internos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do FBI. Essas informações fazem parte de outras frentes da investigação.

As mensagens entre Vorcaro e Moraes agora integram o material analisado pelas autoridades. Como parte das respostas do ministro também foi enviada pelo sistema de visualização única e o aparelho de Moraes não foi submetido à quebra de sigilo, o conteúdo completo da comunicação entre os dois não está disponível no relatório da PF.

Fonte: Infomoney

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