Denúncias de assédio eleitoral passam de 600 antes das eleições
MPT reforça plantões para atender trabalhadores que relatarem pressão no trabalho
O Ministério Público do Trabalho (MPT) já contabiliza mais de 600 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026. O número representa um aumento expressivo em relação ao mesmo período de 2022, quando eram registrados cerca de 85 casos. Diante do crescimento das ocorrências, o órgão reforçou a estrutura de atendimento e anunciou plantões presenciais nas Procuradorias de todo o país durante o fim de semana da votação.
Segundo o procurador-geral do MPT, Gláucio Araújo de Oliveira, a facilidade para registrar e compartilhar provas contribuiu para o aumento das denúncias. Vídeos, mensagens e outros conteúdos podem ser produzidos rapidamente por trabalhadores e encaminhados aos canais do Ministério Público, que permitem o registro com sigilo e anonimato. Entre as situações investigadas estão ameaças de demissão, redução de salário ou fechamento de unidades caso determinado candidato não seja eleito, além de cobranças para participação em atos de campanha.
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O assédio eleitoral também pode ocorrer no serviço público, segundo o MPT. Servidores comissionados ou ocupantes de funções gratificadas podem ser pressionados por superiores, como prefeitos, governadores e secretários, com ameaças relacionadas à permanência no cargo. A prática pode acontecer de forma presencial ou por meios digitais, como WhatsApp, e-mails e reuniões virtuais. Dados citados pelo Tribunal Superior do Trabalho indicam que ferramentas virtuais aparecem em pouco mais de 67% dos processos analisados, com o WhatsApp presente em 37% deles.
Para a reta final da eleição, o MPT informou que os plantões funcionarão em conjunto com forças de segurança, Judiciário e outros órgãos públicos para atender situações urgentes, inclusive casos em que empresas tentem impedir trabalhadores de exercer o direito de voto. A orientação é que possíveis vítimas preservem mensagens, áudios, vídeos, fotografias, e-mails e outros documentos que possam ajudar na apuração. O MPT pode investigar os fatos, propor Termos de Ajustamento de Conduta ou ajuizar ações na Justiça do Trabalho, conforme as circunstâncias de cada caso.
Fonte: Correio Braziliense