Decisão de Zanin sobre horário de votação gera questionamentos e amplia tensão
Medida provocou questionamentos sobre a condução do processo eleitoral e aumentou a tensão entre integrantes do Judiciário.
A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender até as 19h o horário de votação do segundo turno das eleições de 2026 provocou questionamentos sobre a condução do processo eleitoral e aumentou a tensão entre integrantes do Judiciário. A medida foi tomada neste domingo (25), após um pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alegou dificuldades no transporte público em diferentes regiões do país.
A determinação foi publicada pouco depois das 17h, horário previsto para o encerramento da votação. Naquele momento, a Justiça Eleitoral já havia iniciado a divulgação dos primeiros números da apuração, o que levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a interromper temporariamente a totalização dos votos.
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A decisão também alimentou críticas sobre a atuação do STF em uma área cuja organização cabe à Justiça Eleitoral. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, integrantes do TSE demonstraram insatisfação com a medida e avaliaram que a definição sobre a extensão do horário deveria partir da própria Corte eleitoral.
Problemas no transporte motivaram pedido
A coligação de Lula argumentou que a redução da frota de ônibus e outras dificuldades de deslocamento poderiam impedir eleitores de chegar às seções eleitorais. O pedido citou ocorrências em diferentes estados, incluindo o Piauí, onde foi relatada redução do transporte coletivo em Teresina.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também solicitou a ampliação do prazo para votar, alegando dificuldades provocadas por chuvas, alagamentos e interdições em municípios de outros estados. A decisão de Zanin, entretanto, determinou inicialmente a extensão do horário em todo o território nacional.
TSE esclarece como a prorrogação deve funcionar
Após a repercussão da medida, o ministro Cristiano Zanin publicou um esclarecimento para determinar que a votação continuasse somente nas seções em que as urnas ainda não tivessem sido fechadas. Os votos registrados nas urnas já encerradas deveriam ser mantidos e totalizados normalmente.
A aplicação da decisão gerou dúvidas operacionais, porque os equipamentos já encerrados não podem simplesmente ser reabertos. Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela Folha apontaram dificuldades para executar integralmente a determinação e alertaram para possíveis questionamentos jurídicos decorrentes da diferença entre os horários de encerramento das seções.
O episódio colocou em debate a relação entre o STF e o TSE, além dos efeitos de decisões judiciais tomadas durante a votação. Eventuais consequências para a validade do processo eleitoral dependerão da análise das circunstâncias e das medidas adotadas pelas autoridades competentes.
Fonte: Gazeta da Hora