Gilmar Mendes questiona condução do TSE durante o segundo turno eleitoral
Ministro critica falta de posicionamento da presidência da Corte e alerta para riscos à confiança pública
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em manifestação publicada na rede social X, na segunda-feira (2), Gilmar não citou diretamente o nome do colega, mas afirmou que a condução da Justiça Eleitoral exige imparcialidade e posicionamentos firmes diante de situações que possam comprometer o processo democrático. “De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”, escreveu o magistrado.
Na publicação, Gilmar também afirmou que a ausência de manifestações em momentos decisivos pode gerar consequências para a atuação institucional. “Silêncios e hesitações não são neutros”, declarou. Segundo o ministro, a falta de decisões oportunas pode abrir espaço para medidas contraditórias e obrigar outras instâncias do Judiciário a intervir em questões que poderiam ter sido resolvidas inicialmente pela própria Justiça Eleitoral. Para ele, a postura dos responsáveis pela condução do pleito é fundamental para preservar a credibilidade das instituições e evitar que episódios administrativos sejam utilizados para questionar a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro.
- Participe do nosso grupo de WhatsApp
- Participe do nosso grupo de Telegram
- Confira os jogos e classificação dos principais campeonatos
As críticas estão relacionadas aos episódios registrados no dia 25 de outubro, quando o TSE recebeu reclamações sobre dificuldades no transporte público em diferentes cidades. O PT solicitou a ampliação do horário de votação, alegando redução da frota de ônibus em determinados municípios. O PL também apresentou pedido semelhante, mencionando dificuldades provocadas pelas chuvas em cidades das regiões Sul e Sudeste. Diante da ausência de uma manifestação da presidência do TSE, o caso chegou ao STF, onde o ministro Cristiano Zanin autorizou a extensão da votação até as 19h. A decisão foi divulgada poucos minutos antes do encerramento previsto, às 17h, quando grande parte das urnas já havia sido fechada.
Apesar das críticas à condução da presidência, Gilmar Mendes ressaltou que a atuação coletiva dos ministros do TSE foi determinante para garantir o cumprimento das regras democráticas. O magistrado afirmou que a colegialidade funcionou naquele momento, mas ponderou que a estabilidade do processo eleitoral não pode depender exclusivamente das decisões do conjunto de ministros. O episódio também ampliou os questionamentos públicos sobre a atuação do Judiciário e o desgaste da imagem do STF. Especialistas ouvidos pelo Correio Braziliense avaliam que os conflitos entre integrantes da Corte podem afetar a confiança da população na instituição e intensificar as tensões entre o Judiciário e o Congresso Nacional.
Fonte: Correio Braziliense