Pesquisa aponta queda na taxa de transmissão da covid-19 e governador analisará volta do comércio

Segundo Wellington Dias, dois fatores serão avaliados para retomada das atividades econômicas

Por Jade Araújo,

O governador Wellington Dias (PT) apresentou na tarde desta quinta-feira (04), a quinta etapa da pesquisa Amostragem. Os números do estudo, realizado entre os dias 30 de maio de 2 de junho, apontaram uma diminuição na taxa de transmissibilidade do vírus, R0, que caiu para 0,9. Outro fator positivo foi a redução no número do crescimento, de uma pesquisa para a outra, no número de casos confirmados. Segundo a pesquisa, o Piauí tem hoje 87.579 casos confirmados. 

Governador Wellington Dias - Foto: reprodução

Questionado se com esses dados, já poderia haver uma confirmação de reabertura gradual das atividades comerciais, o governador voltou a pontuar que seguirá a ciência. Segundo ele, dois fatores serão avaliados: a ocupação dos leitos de UTI e a taxa de transmissão. A decisão será tomada no sábado (06), um dia antes do fim do decreto.

“Eu afirmo que quem vai tomar essa decisão, no sábado, será o Comitê Covid-19 do Piauí. Mas os critérios que nós adotamos lá atrás para dar qualquer passo da retomada vai se levando em conta a ciência. Dois fatores serão avaliados, primeiro, a transmissão da taxa, e isso é uma realidade no Piaui. Segundo a redução nessa parte de ocupação de leitos na proporção do que temos disponível. É preciso que tenhamos uma taxa abaixo de 50%. Com esses dois fatores acho que teremos um ambiente para a tomada por alguma flexibilização”, explicou. 

Pesquisa vem sendo realizada com a aplicação de testes - Foto: Sesapi

A pesquisa foi vista de forma positiva. De acordo com o presidente do Instituto Amostragem, João Batista Teles, a taxa de crescimento da doença vem desacelerando. Nos dados apresentados, 87.579 pessoas estão com a doença no estado e na época da realização da pesquisa, o número oficial da Secretaria de Saúde do Estado era de 4.431 casos. A taxa de 23 pessoas infectadas para cada caso confirmado oficialmente, na pesquisa anterior, caiu para 18. 

Para os casos infectados recentemente, a pesquisa mostrou que saiu de 36.014 para 54.839, um crescimento de 52,7% que está abaixo do crescimento da última pesquisa que foi de 133%. Já os casos de pessoas com infeccções há três semanas, não apresentou crescimento, mantendo os 20.463 a mais. 

Um dos fatores também vistos como positivo foi a taxa de transmissibilidade. Esse número aponta o quanto um local está dentro da transmissão do vírus de uma pessoa para outras. Em 10 de maio, essa taxa era de 2.8 e cinco dias depois de 2.9. A redução da taxa só foi notada no final de maio, no dia 23, quando chegou a 1.7, menor número até então. Na pesquisa do dia 2 de junho essa taxa chegou a 0,9. O número abaixo de um significa que a doença entra em fase de ser controlada. 

“Com o passar do tempo nos temos tido uma queda bastante significativa dessa taxa de transmissibilidade. Isso quer dizer que as medidas de distanciamento, as medidas de higiene estão tendo sua efetividade ao ponto de reunir, ao nível, da Organização Mundial de Saúde, um nível que nos possamos controlar a contaminação. O R.0 é um numero dinâmico. Se a população deixar de usar máscara, lavar as mãos, álcool em gel ou deixar de ter o limite de distanciamento das pessoas, isso pode voltar a aumentar”, disse o médico Ian Jhemes. 

Dados da 5ª etapa da pesquisa

  • Número de pessoas infectadas: 87.579
  • Taxa de transmissibilidade, R.0: 0,9
  • Taxa de infecção: 0,0267 - por 100mil/hab
  • Infecções recentes: de 36.014 para 54.839, crescimento de 52,7% 
  • Casos antigos de infecção, pelo menos três semanas: de 9.822 para 12.277, crecimento de 24,9%

Medidas de higiene pessoal e isolamento social

Com os dados acima apresentados, o pesquisador João Batista Teles pode concluir que as medidas de higiene pessoal, como lavar as mãos, uso de máscara e álcool em gel, vem crescendo. Por outro lado, o isolamento social vem caindo cada vez mais em comparação com os números registrados em abril.

João Batista Teles - Foto: reprodução

Isso demostra que, com as medidas de isolamentos aplicadas no começo e os dados do crescimento da higiene pessoal, a população vem ajudando a reduzir a taxa de transmissão da doença. 

“A gente tem percebido que as medidas de cunho pessoal têm aumentado. Isso talvez explique, embora o isolamento tenha ajuda, que essas medidas pessoas ajudaram na diminuição da transmissão. Esses comportamentos mais individuais têm aumentado e o que tem caído é a questão de ficar em casa”, afirmou Batista Teles.

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